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Submarino, uma arma oportuna para tentar enfraquecer Portas

Quem quer “tramar” Portas, líder do partido que mais cresceu nas eleições legislativas? “Quem ganhará com o enfraquecimento do CDS? O PS não é, decerto. Nem é à esquerda do PS que se ganha, apesar das palavras de Francisco Louçã”, comenta um antigo deputado que acompanhou o processo na A.R.

 

Paulo Portas foi associado ao caso dos submarinos sem prova nem acusação. O Ministério Público anda há três anos à procura de um contrato que está guardado no ministério da Defesa. Não passavam 24 horas da votação histórica do CDS na noite das legislativas quando a Polícia Judiciária irrompeu por dois escritórios de advogados em Lisboa à procura de documentos que o Ministério Público julga vitais para compreender se houve ou não desvio de fundos e comissões na compra de dois submarinos para a Armada portuguesa. A polícia decidiu invadir os escritórios a Sérvulo & Associados e da Vieira de Almeida & Associados à procura de documentação que explique o paradeiro de mais de 30 milhões de euros, associados à compra dos submarinos.

 

O elemento que a polícia procura, além dos documentos processuais que ajudem a compreender o que se passou nesta compra feita em 2004 pelo Governo de Durão Barroso, quando Manuela Ferreira Leite era ministra das Finanças e Portas responsável pela pasta da Defesa, é o contrato que documente as contrapartidas financeiras. Ora, este documento está na posse do Estado, guardado nos Ministérios da Defesa ou das Finanças, e do qual tem existir uma cópia junto do tribunal de Contas.

 

Mas, misteriosamente, o contrato desapareceu. O que convém para lançar uma suspeição pública sobre o líder do CDS. Paulo Portas já se defendeu: “O contrato de financiamento foi enviado para visto pelo Tribunal de Contas. O Governo seguinte fez uma análise detalhada do documento. O ministro das Finanças fez outra verificação no início do ano e o Estado Português tem feito os seus pagamentos pontualmente, obviamente com base na documentação jurídica pertinente”. Portas foi obrigado a esta resposta depois de Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda, ter sugerido que a polícia devia procurar o referido contrato “entre as 61 mil fotocópias” que o líder do CDS alegadamente tirou quando saiu do Governo.

 

Contactadas por O Diabo, fontes políticas ligadas ao processo de compra dos submarinos dizem “não compreender porque surge agora, de novo, esta questão”. “Parece que é algo armadilhado no tempo. Estava-se à espera que o CDS tivesse um mau resultado nas urnas. Mas o PS sabe perfeitamente que os contratos são claros. Quem ganhará com o enfraquecimento de Portas e do CDS? O PS não é, decerto. Nem é à esquerda do PS que se ganha, apesar das palavras de Francisco Louçã”, sugere um antigo deputado que acompanhou o processo na Assembleia da República.

 

Os dois submarinos, que servirão para a defesa das águas territoriais portuguesas, para a caça ao tráfico de droga e para o patrulhamento intensivo da maior Zona Económica Exclusiva da Europa, chegam neste Outono a Portugal. São os dois maiores submersíveis construídos na Alemanha, no estaleiro Howaldtswerke-Deutsche Werft GmbH, em Kiel. O “Arpão” e o “Tridente” integram a mais avançada tecnologia energética e só serão superados por um novo modelo, encomendado por Israel, mas baseado na versão que agora equipa os portugueses. O consórcio vencedor do concurso internacional é composto pelos estaleiros Howaldtswerke–Deutsche Werft AG, pela Nordseewerke GmbH e também pela Ferrostaal AG.

 

É sobre esta última empresa que o Ministério Público agora centra as suas atenções. Depois da atribuição aos alemães da construção dos dois submergíveis, o consórcio perdedor, que se compunha apenas de empresas francesas, protestou junto da justiça portuguesa. Foi por isto que o Departamento Central de Investigação e Acção Penal decidiu começar a investigar o pagamento de comissões pelo grupo alemão a uma empresa financeira com base em Londres: a Escom UK., dependente do grupo financeiro português liderado pelo Banco Espírito Santo.

 

A Escom terá alegadamente recebido verbas que seriam depois destinadas a contrapartidas de investimento em Portugal. O consórcio alemão, apesar de ganhar o concurso, foi obrigado por Portas a investir em Portugal de forma a criar maior desenvolvimento no campo da produção industrial e na pesquisa e desenvolvimento.

 

Assim, em paralelo com a contratação dos submarinos, o consórcio assumiu a obrigação de proporcionar à economia portuguesa vantagens no montante global de 1210 milhões de euros. Este programa inclui um grupo de compensações, de natureza económica e de parceria tecnológica. As contrapartidas no negócio abrem portas ao desenvolvimento da área da inovação e à modernização do tecido empresarial a níveis que não seriam realizáveis de outro modo.

 

Alemães acusados

A primeira parte da investigação ao negócio dos submarinos já está encerrada e tem por base as contrapartidas pagas. O MP diz que, por iniciativa dos três gestores alemães e com o acordo dos sete portugueses, há alegadamente a um valor de 48 milhões de euros, que estaria inicialmente contabilizado como contrapartida do consórcio vencedor mas que, entretanto, já estavam em mãos de empresas portuguesas à data dos contratos.

 

O Ministério Público afirma agora que a chegada do dinheiro antes da assinatura do contrato pode configurar uma mão-cheia de crimes, uma vez que esse capital só devia entrar nas empresas depois das assinaturas formais.

 

O MP baseia-se em prova documental, nomeadamente e-mails trocados entre os arguidos no processo, dez no total – três alemães e sete portugueses –, todos homens de negócios e longe de ligações políticas com qualquer partido.

 

O que chamou a atenção ao MP foram mensagens, principalmente as trocadas entre as indústrias ACECIA, portuguesas, e o consórcio alemão. O homem que alegadamente teria “montado o esquema” foi Luís Palma-Féria, presidente do grupo empresarial português. Palma-Féria teria mesmo avisado os alemães sobre terem ganho o concurso, duas semanas antes da publicação dos resultados serem públicos. O problema é que Palma-Féria morreu. E se, potencialmente, poderia ser testemunha ou arguido-chave, o seu falecimento impede que os acusadores compreendam a totalidade do processo. Por exemplo, perceberem como é que o gestor conseguiu saber o nome do vencedor por via informal – algo irregular – mas que não configura crime. No entanto, os actuais acusados são todos da ACECIA.

 

O MP sublinha que se o dinheiro chegou antes do prazo contratual e, por isso, não teve o impacto prometido, nem na indústria, nem na economia nacional, uma vez que não foi aplicado no interesse geral do país, mas apenas em empresas previamente escolhidas.

Os 30 milhões

Mas existe uma segunda investigação em curso. E que ainda não acabou. É a que provoca as buscas da semana passada a vários escritórios de advogados na capital. O Ministério Público quer saber se uma eventual comissão de 30 milhões de euros terá ou não sido paga à Escom. O que paira no ar, sem qualquer prova ou pista ainda credível, é que para além de operações financeiras ligadas ao negócio dos submarinos, algum deste dinheiro tenha sido usado para financiamento partidário.

 

O Departamento Central de Investigação e Acção Penal e a Polícia Judiciária estão agora no encalço de um donativo de perto de 1,1 milhões de euros que entraram nas contas do CDS entre 27 e 30 de Setembro de 2004. Paulo Portas é claro e relembra que, como em todos os partidos, este tipo de contribuições existe e todos os recibos passados pelo PP podem ser consultados e que as contas partidárias são vistoriadas. O DCIAP e a PJ querem ainda saber se o valor de 30 milhões de euros pagos à Escom serão ou não comissões ilícitas e se alegadamente existem transacções suspeitas que passem pelo Reino Unido.

 

Os irmãos “Tridente” e “Arpão”

Os dois novos submarinos que vão equipar a Marinha Portuguesa pertencem à classe 209PN e vêm equipados com um motor híbrido. Em cada um dos submergíveis existe uma célula de combustível para a produção de energia. Este inovador e único sistema de propulsão independente de ar, baseado no comprovado sistema de célula de combustível, vai proporcionar uma muito maior capacidade de autonomia submersa – o que permite maior duração das missões e uma perseguição mais prolongada de navios suspeitos. Isto para além do tradicional motor diesel.


O custo inicial ultrapassou os 800 milhões de euros. Tanto o “Tridente” como o “Arpão” vêm equipados com oito dispositivos lança-torpedos, dispondo igualmente de capacidade para disparar mísseis. Têm assinaturas acústicas, térmicas e magnéticas minimizadas, o que lhes permite operar em modo furtivo, com um grau de segurança próximo dos submarinos americanos.


O “irmão” mais novo das duas embarcações, o “Arpão”, tem prevista a sua conclusão de construção, antes mesmo do prazo inicial acordado, que fixava o primeiro trimestre de 2010 para a entrega.


O “Tridente” e o “Arpão”, cuja compra foi criticada até pela NATO, que afirmava que o País não tinha qualquer necessidade de se dotar deste tipo de embarcações, são os maiores submarinos construídos até hoje em toda a Alemanha.

 

Entrevista a José Ribeiro e Castro

“CDS deve chegar agora aos 20 por cento”

O histórico dirigente do CDS avisa que o partido não vai fazer acordos com o PS: “As pessoas rir-se-iam de nós se o fizéssemos” e aposta tudo na tomada do eleitorado do PSD. “Se o CDS fosse mais forte, não estávamos dependentes da esquerda, depois destas eleições”. Uma entrevista exclusiva, no regresso de José Ribeiro e Castro ao Parlamento.

 

O Diabo – Foi um candidato surpresa quando se apresentou nas listas pelo Porto, depois da luta interna que travou com Paulo Portas. Está contente?

José Ribeiro e Castro – Estou. E estou particularmente contente com a minha eleição mas, mais importante, com a eleição de mais dois deputados pelo círculo do Porto.

 

O Diabo – A união do partido, que o juntou a Paulo Portas e a Telmo Correia, foi fundamental para este resultado?

José Ribeiro e Castro – É um resultado de todo o partido e de todos os que fazem parte dele. O que se pode esperar agora é mais crescimento. O CDS perseguia há bastante tempo este objectivo, que era ultrapassar a fasquia psicológica de dois dígitos. Isto significa que o CDS entra definitivamente num outro campeonato.

 

O Diabo – Que campeonato é esse?

José Ribeiro e Castro – É um campeonato de ter a meta de passarmos para além dos 20 por cento. Não creio que seja já na próxima eleição, mas na seguinte, por exemplo. Estamos num caminho de crescimento para ser o mais forte referencial político em Portugal. Creio que é a isso que o partido deve aspirar. Esta votação é bastante encorajadora. Agora este caminho de que falo exige bastante trabalho e não se resume apenas a eleições, mas a crescimento em ligação com a sociedade civil, de intervenção, em aumentar a capacidade de propostas e reforçar o prestígio. Há um encorajamento nesta votação que o partido e toda a sociedade portuguesa têm de saber ler.

 

O Diabo – Que sinais são esses?

José Ribeiro e Castro – É o facto de ser a melhor votação do partido desde 1983. Regressámos a tempos históricos. Depois, desde 1985 que não tínhamos deputados sozinhos em Coimbra, nunca tínhamos tido em Faro, e na Madeira só em 1976… É um partido finalmente nacional. E embora não tenha conseguido eleger deputados no Alentejo, por exemplo, consegue ali votações muto interessantes e importantes. Consegue em muitos distritos duplicar a votação. Por isso, o CDS é hoje um partido nacional. Os eleitores sabem o que querem do CDS e o partido não os pode defraudar. Há um crescimento uniforme.

 

O Diabo – Sendo o CDS o único partido sozinho que pode dar maioria ao PS na Assembleia…

José Ribeiro e Castro -…não é verdade, o PSD também pode…

 

O Diabo –…é verdade, mas o PSD está prestes a ficar sem líder e o CDS tem uma liderança estável e um caderno de encargos claro. E perante isto, espera-se do seu partido uma possível viabilização de governo. Concorda?

José Ribeiro e Castro – Isso seria um desapontamento para o eleitorado do CDS. Creio que a verdade é que o País, sendo o CDS o grande vencedor político das eleições, virou à esquerda. O mais votado é o PS e a Assembleia voltará a ter uma maioria de esquerda. Sou um democrata mas lamento este resultado. É um mau resultado para Portugal, ninguém esperava que isto acontecesse, mas temos que respeitar. E se o eleitorado decidiu votar à esquerda, então é isso que deve ter. As tentações de bloco central que sejam procuradas com o PSD. O CDS tem um caminho a percorrer e não deve agora misturar as coisas. Nos próximos dias muito se vai falar do interesse do partido e do interesse nacional. Ora, eu julgo que o interesse nacional passa por um CDS forte na oposição e não a servir os interesses de outro partido. E o CDS deve fortalecer-se cada vez mais como opção à direita e isso é que cria prestígio e confiança dos portugueses na política. As pessoas rir-se-iam com outra posição do nosso partido e diriam: “lá estão eles, outra vez…”. Depois da linha que o CDS apresentou, depois de tudo o que fez, seria ridículo entrar numa entente com o PS. Face a este resultado extraordinário e brilhante, acho que o CDS deve seguir a sua linha própria.

 

O Diabo – É o primeiro passo, depois de 15 anos consigo, com Paulo Portas e Manuel Monteiro, para criar o grande partido democrata-cristão que substitua o PSD que está a esvaziar-se ideologicamente?

José Ribeiro e Castro – Eu sou do CDS e sempre tive o sonho — e mais do que o sonho, porque não me deitei a dormir —, que o partido deve ser a mais forte referência política em Portugal. O meu pensamento e a minha convicção é esta. Portanto, desejo que o CDS faça esse caminho que acaba de descrever. A votação deste domingo é um sinal nesse sentido e significa confiança e esperança para que o CDS consiga isso. Mas agora o partido tem de se preparar para conseguir responder às expectativas criadas – e tem todas as condições para o fazer. Não vejo no PSD um adversário, mas se o CDS tivesse ficado mais à frente nos resultados nas eleições de domingo, hoje o País não estaria refém destes resultados.

 

Paulo Portas a "O Diabo"

“Não quero o governo a qualquer preço”

 

 

Paulo Portas, líder do CDS, assegura que não vai deixar a liderança do partido e está pronto a apresentar um caderno de encargos ao PSD para poder viabilizar um governo de direita

 

O Diabo - A campanha eleitoral tem sido feita volta do TGV, dos espanhóis, das pequenas polémicas diárias sobre as escutas. Era isto que esperava? Que revela este discurso sobre a qualidade política do País?

Paulo Portas - Revela partidos que, durante os últimos quatro anos, nunca falaram seriamente de temas como a Segurança, a Agricultura, ou que só neste Verão se lembraram das PMEs. Destes partidos, não se pode esperar muito mais. A questão do investimento do TGV é importante se, e apenas, se apresentar – como fez o CDS – as alternativas. Eu esperava que se falasse no desemprego. Afinal Portugal tem, neste momento meio milhão de pessoas desempregadas, uma percentagem assustadora de jovens qualificados no desemprego… a esquerda esquece-se sempre que quem cria o emprego são os empresários, que são constantemente maltratados.

 

O Diabo – Afinal, qual a sua ideia para Portugal? Onde quer que Portugal chegue, caso tenha a oportunidade de liderar o País?

Paulo Portas - O País, que José Sócrates nos deixou, está mais endividado e tem menos crescimento, tem mais desemprego e menos empresas, mais dependência do exterior e menos exportações, mais rendimento mínimo e menos pensões, mais criminalidade e menos justiça. Queremos um país com mais motivação dos professores e mais exigência nos alunos, como mais autoridade e menos violência. Uma comunidade que possa acreditar na Justiça, com segurança para haver liberdade, com reguladores financeiros que dêem confiança no sistema financeiro. O CDS quer valorizar quem trabalha, com menos impostos e impostos mais amigos da Família, um País que não abandone o mundo rural nem os recursos do mar.

 

O Diabo - Que temas quer ver ainda discutidos na campanha?

Paulo Portas - A Família, é um bom exemplo de um tema que tem estado longe da discussão política, assim como a óbvia falta de confiança na Justiça ou os problemas da Saúde. Acreditamos que, na Educação, se tem de lutar pela autoridade dos professores nas salas de aulas e avaliar também os programas escolares actuais. Um tema que o CDS tem levantado, mais uma vez, é a importância, para um País como o nosso, das políticas do Mar.

 

O Diabo - O CDS teve o papel de moderador do PSD a partir de 2002, nos governos liderados por Durão Barroso e Santana Lopes. Está disposto a repetir a experiência?

Paulo Portas - Já o disse, sei o que é estar no Governo e não tenho a ambição de lá voltar a qualquer preço. Só vale a pena se o CDS tiver mais força, nos votos, para podermos cumprir o que chamamos o nosso “caderno de encargos”, as nossas prioridades para Portugal.

 

O Diabo - Caso o CDS consiga ser Governo assume a pasta da Agricultura?

Paulo Portas - O desastre do ministro actual é tão grande, tão terrível, que uma coisa lhe asseguro, vamos ter de ter um ministro que lute pelos agricultores, não contra eles, que fale com quem trabalha a terra, não os ignore, que lute pelos apoios comunitários para Portugal, não os desperdice, que seja activo, em vez de atrasar todos os prazos, que acredite na agricultura, e não um que desista do sector agrícola.

 

O Diabo – Viabilizará um governo minoritário do PS ou do PSD, sem estar no Governo?

Paulo Portas -  O CDS já provou que é um partido que dá estabilidade e que tem responsabilidade, mas não abandonamos as nossas exigências nem os valores em que acreditamos. Está na altura de virar a página deste governo socialista, não podemos perder mais oportunidades nem desprezar quem trabalhou uma vida toda e vê as pensões mínimas esquecidas.

 

O Diabo – O seu apelo ao voto indica que há pessoas que concordam consigo mas não querem votar no CDS. Como explica isto?

Paulo Portas - Deve votar-se no partido que pensa o mesmo que nós, em que nos identificamos no discurso e damos razão. Quem pensa o mesmo que o CDS tem razões para acreditar que faremos um bom trabalho… o nosso trabalho, ao longo da última legislatura, mostrou bem que somos o partido mais trabalhador, com mais iniciativas. O voto serve também para censurar quem merece ser censurado e premiar quem merece ser premiado. José Sócrates governou mal, tem de levar um cartão vermelho. O CDS foi quem mais trabalhou na Oposição, por isso, agora, pedimos mais força.

 

O Diabo – Se o CDS mantiver o número de deputados,  já fica contente?

Paulo Portas -  O CDS vai subir, vamos ter mais votos, mais deputados.  Estou a percorrer o País e posso garantir-lhe que há cada vez mais pessoas a pensar como nós. O CDS tem de ter mais votos que a esquerda radical, é a única forma de impedir o regresso a um tempo arcaico – de nacionalizações e controlo estatal – que alguns continuam, em 2009, a propor.

 

O Diabo – E se tiver menos votos que nas eleições legislativas anteriores, abandona o cargo de presidente do Partido?

Não se preocupe, isso não vai acontecer. Ouça, nas últimas eleições davam 2 por cento ao CDS e tivemos quatro vezes isso!

 

Cenários pós-eleitorais

Resultados ditam futuro dos líderes

 

E se eu perder? – perguntam-se os líderes dos principais partidos concorrentes às legislativas. Sócrates teria de engolir a derrota e carregar o partido às costas, numa penosa travessia do deserto. Manuela sairia pelo seu pé. E Portas avançaria com uma surpresa na noite das eleições…

 

A 25 dias das eleições legislativas já se afiam facas para a noite eleitoral. No CDS, alguns destacados militantes esperam avidamente o resultado para saber se se “colam” ao poder (no caso de uma vitória) ou se avançam com um pedido de congresso extraordinário, caso Paulo Portas obtenha um resultado inferior ao das eleições passadas. “O Diabo” sabe que um conjunto de apoiantes do jovem João Almeida está apenas à espera de um mau resultado para pedir uma reunião magna do partido e tentar substituir o líder.

 

Os rivais de Paulo Portas arriscam-se, contudo, a enfrentar duas surpresas. A primeira, com os próprios resultados eleitorais: “O CDS vai ter melhor resultado que nas eleições anteriores”, garante um dirigente do partido a “O Diabo”. “A campanha está a correr melhor. Isto não quer dizer que venhamos a somar, com o PSD, uma maioria que dê para governar. Mas que vamos subir de votos, isso vamos”.

 

Mas Paulo Portas, que não entrega a terceiros a gestão da sua carreira política, tenciona antecipar-se com uma outra surpresa: a convocação de um congresso extraordinário na própria noite das eleições, qualquer que seja o resultado.

 

“É natural que um líder que ganha se queira ver novamente legitimado”, explicou um dirigente do CDS a “O Diabo”. Mas se perder em toda a linha, Portas pode mesmo sair. Outro militante do partido assegura ao nosso jornal: “Não há oposição interna que se veja, as coisas estão unidas, mas Paulo Portas já disse que ou conseguia um bom resultado e era governo, ou ia-se embora. O problema é que Paulo sente que uma dezena de anos depois, ou as pessoas entendem a mensagem, ou o problema é do mensageiro, e então deve afastar-se”.

 

Coelho e Rangel

 

Já no PSD, as contemplações face a uma hipotética derrota de Manuela Ferreira Leite não seriam grandes. Caso a líder perdesse para o PS as eleições, o partido avançaria mesmo para congresso extraordinário. Depressa e em força. Tanto mais que é conhecida a determinação de Manuela Ferreira Leite de não se eternizar na liderança num cenário de oposição. O que preocupa a oposição interna é o pouco tempo que restaria ao novo líder até às próximas legislativas. Marcelo Rebelo de Sousa já avisou, sobre o programa do PSD: “É um programa para as eleições de 27 de Setembro, mas é programa que me parece pensado para a hipótese possível, plausível, de sair um Governo minoritário e de haver novas eleições dois anos depois”, previu o comentador.

 

Ora, com menos de dois anos para preparar alternativa, e sendo provável que um eventual Governo do PS não aguentaria, sequer, um ano, os candidatos Pedro Passos Coelho ou Paulo Rangel – vistos como os mais prováveis sucessores de Manuela teriam pouco tempo para conquistar o partido e o País. Em caso de fracasso eleitoral, se a líder não caísse a 27 de Setembro, por mão própria, cairia no congresso seguinte. Isto deixaria, ainda, o Presidente da República em maus lençóis políticos. Apesar de o “seu” PSD não o desapoiar caso decida avançar com a candidatura a um segundo mandato, Cavaco teria de esperar que Rangel ganhasse para ter apoio explícito. Se fosse Passos Coelho a vencer, Cavaco poderia muito bem ter que suar as estopinhas sozinho… contra um Manuel Alegre revigorado e candidato em pleno do PS.

 

“Carro-vassoura”

 

Quanto ao PS, mesmo que saísse vencedor das eleições do próximo dia 27, teria vida a prazo no poder, com José Sócrates fragilizado. Seria o primeiro líder do PS a não conseguir melhorar resultados de umas legislativas para as outras (excluindo, naturalmente, os casos em que foi derrotado), e teria de carregar o partido às costas” numa penosa travessia do deserto. António José Seguro, Paulo Pedroso, António Costa ou outro candidato que surgisse não quereria servir de carro-vassoura dos despojos socráticos. O jovem Tozé espera, no entanto, ser líder parlamentar na próxima legislatura, caso o PSD vença, preparando-se para futuros combates.

 

À esquerda, só um maremoto poderia afastar Jerónimo de Sousa da liderança do PCP. É cedo para o jovem Bernardino Soares e tarde para o sindicalista Carvalho da Silva, que se vem afastando dos comunistas desde que se doutorou. O maremoto seria, no entanto, ficar em quinto lugar, atrás do Bloco e do CDS. Nesse cenário, Jerónimo regressaria a Pirescoxe, abrindo caminho para a primeira sucessão no PCP na era pós-Cunhal – o maior desafio dos comunistas desde 1975. No entanto, as sondagens internas dos partidos ainda vão dando o PCP à frente do CDS – oxigénio suficiente para se afastarem as hipóteses de sucessão.

 

Resta o Bloco de Esquerda, alicerçado em Francisco Louçã, que habilidosamente vem “desgastando” as figuras de proa do partido e, aparentemente, não tem de enfrentar a oposição de tendências internas – ao contrário do que geralmente sucede nos partidos congéneres europeus. Um mau resultado para o Bloco seria voltar a ter dois ou três deputados. Mas uma votação que faça o BE descer para o quinto lugar – fruto do voto útil da esquerda moderada no PS e não nos bloquistas pode fazer com que Louçã apenas consiga um quarto lugar na tabela, atrás do PCP ou do CDS.

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