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Jornal O Diabo

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Sobre a Experiência do Voto Repetida

António Marques Bessa

 

 

O voto tem sustentado inúmeros regimes. O problema tem consistido sobretudo em dois vectores: A) Quem pode votar? B) Como se contam os votos?

 

Estas duas questões essenciais condicionaram toda a vida política de sistemas que, sem abstenção, obtinham 100 por cento votos, ou de democracias populares e regimes em que apenas 5 por cento da população vota com o mesmo resultado final.

 

Se o povo fala – é duvidoso no mínimo que o faça – tudo depende do aparelho que lhe põem na boca: isto é, de como o burro vai albardado.

 

O sistema português é a demonstração pura e simples que a introdução geral das quadrilhas partidárias empobreceu a Monarquia e as repúblicas, atrasou o país, e continua a ser um dos principais empecilhos ao desenvolvimento. Pobres somos e continuaremos a ser.

 

 

Quem pode votar?

 

Inicialmente o voto era para quem podia assumir responsabilidades e pagar esse luxo. Se tinha riqueza (voto censitário), se tinha família e era responsável (voto familiar e múltiplo), se tinha idade e responsabilidade (voto etário) ou se era bem-nascido (voto aristocrático).

 

Na assembleia que em França mandou matar o rei por maioria de um voto, só os ricos é que tinham direito a voto. E foi assim. Na Inglaterra que enforcou o Rei foi a mesma coisa: voto para os ricos e aristocratas, que também eram ricos. E foi assim. Só aqui é que o Rei tinha que ser abatido ignobilmente a tiro por uma catrefada de esquentados da cabeça, sem representação dos ricos no Parlamento. Uma coisa de cafres. Celebram os assassinatos, não o enforcamento ou as decapitações.

 

Depois de se conceber que não há volta atrás, o direito ao voto expandiu-se, alargou-se, à velocidade da espuma dos produtos para a lavagem. Baixou a idade, desprezaram-se as responsabilidades, o rico ficou aparentemente igual ao pobre, o velho ao imberbe, o criminoso ao homem sério, a prostituta à senhora do campo. Chamou-se a isso o direito universal ao voto porque os estrangeiros, que pouco têm a ver com a nossa história, também iriam ser incluídos na sopa. E assim é bom. Mas assim é que é o plano, a agenda, para certos países. Tomem lá disto e não discutam. Para outros é bom ter ditaduras sangrentas e repressivas. Não é um assunto fechado.

 

Chega-se aos dias de hoje com um voto universal para escolher pessoas propostas por máquinas partidárias, que não passam de uma miserável amostra do país. As pessoas têm a ilusão que escolhem livremente, mas, afinal, só podem escolher o que a máquina segregou entre os seus obedientes servos da gleba. E acaba aqui esta pequena narrativa, de como coisas começaram desde a eleição dos Grandes reis germânicos, do Imperador do Sacro Império Germânico, do Papa, até à escolha dos notáveis de uma Assembleia de paspalhos ou de génios. É preciso notar que só o impagável general graduado Oliver Cromwell criou à sua conta uma inumerável quantidade de Parlamentos Ingleses, até chegar à interessante experiência de só mandar seleccionar Santos. Este problema dos Santos das Igreja perorarem só de Teologia aborreceu-o mortalmente e fechou o Parlamento, que assim permaneceu até ele falecer. Tinha finalmente percebido o problema: nem com Santos dos Últimos Tempos.

 

Portugal também é um caso destes. Nem com Santos representantes das Igrejas do Moacir, dos Protestantes, dos Muçulmanos, da Católica, dos Sadistas, dos masoquistas e das Lésbicas, e dos Hommos não sapiens se iria lá (voto sexual-religioso de minorias seleccionadas). Teríamos discussões teológico-sexuais todo o dia, até romper a aurora, com discursos para encantar ursinhos de peluche. Mas agora também é. Não foi uma artista porno-deputada na Assembleia Italiana, porém, já dizia Robert Heilein, o comportamento das prostitutas francesas só era ultrapassado pelo dos deputados franceses. O americano, autor de “Soldado no Espaço”, passado a filme, parece que não andava longe da realidade. Trata-se de um negócio mais sério, quer dizer, este das prostitutas, porque é muito mais antigo, começa na Suméria, em Sodoma e Gommorrha, na Babilónia. Enquanto outro, dito “de representação”, só começou muito mais tarde e muito limitado pelos usos e costumes do voto. Os reis locais e a sua guarda lá iam fazendo o seu trabalho neste emaranhado de sucessos, mas isso do voto eram coisas desconhecidas, enquanto a devassidão era muito bem-vinda. Mas isso em todos os Sistemas.

 

 

Como se Conta?

 

Aí é que está o segredo. Em Portugal, se alguém resolvesse tornar o sistema anárquico escolheria este método de contagem. Não se esqueça o leitor de quem o implantou com requintes de malvadez nos anos tórridos do que se chamou Conselho da Revolução. Tratava-se de não encontrar responsáveis nem estabilidade, para os senhores capitães continuarem à tripa forra a fazer o que se sabe que fizeram.

 

Em primeiro lugar a ideia de que todos os partidos deveriam poder concorrer, excepto obviamente os que fossem claramente anti-comunistas, porque estes eram os benfeitores da pátria. Só os de extrema-esquerda e um partideco de Centro, chefiado por indivíduo cheio de convicções, Freitas do Amaral, que tinha que fazer actos de fé na sociedade sem classes para ter direito à vida política. Foi hábil e ganhou muito com isso e outras coisas.

 

Noutros países pratica-se o limite de votos. Partidos que não alcançam um certo nível de votos são excluídos nas eleições seguintes.

 

Aqui resolveu-se aplicar um modo proporcional para distribuir deputados a toda a máquina, fornecendo-lhes meios, propaganda, e mercado.

 

Noutros países isso não é assim. Aplica-se a regra da maioria. Os pequenotes desaparecem da cena. A Inglaterra, provavelmente o país com mais experiência política no continente, que experimentou a Monarquia, o Governo Parlamentar, a Guerra Civil, a Ditadura Militar, o Regresso da Monarquia, a Correcção Parlamentar aos reis regressados do exílio, o contrato de um Rei vindo da Holanda para não reinar e deixar ao governo parlamentar a gestão política, deixou-se disso e das tretas que os constitucionalistas portugueses, muito tontos, acham o máximo: a sua própria construção jurídica, que só atrapalha.

 

Os partidos podem concorrer onde quiserem, mas o mais implantado e certificado pela população com quem está em contacto, ganha tudo quando ganha. Os outros perdem tudo. Clareza, limpeza, intervenção cidadã em tanto quanto possível, possibilidade ampla de agir. O sistema é claramente maioritário e produz governos que são responsabilizados.

 

A Inglaterra tem dinheiro para aguentar um sistema irracional como o que vigora aqui, que é produto dos militares e de alguns cérebros da Faculdade de Direito de Lisboa, mas não o quer. O deles funciona e gasta pouco dinheiro, até porque não pagam nada a sucessivos Presidentes vivos. É da tradição o Rei ser rico e pagar-se e ter um pequeno Orçamento. Vem isto do Rei Holandês contratado e que não sabia falar “british”. Os suecos que têm a admiração excessiva dos subdesenvolvidos do sul, também contrataram para Rei, um general de Napoleão e a Casa Real tem origem mele e na sua descendência. E que mal tem isso? É melhor ter pacóvios e depois reformá-los e pagar-lhes anos a fio a sua sobrevivência, num encobrimento envergonhado. Não me parece: se os querem, é tê-los e não lhes pagar nada depois.

 

Portanto os resultados dos votos serão sempre o resultado do método de apurar resultados que os facínoras dizem ser lei. E quem pôs isso na Lei? Não foram, os mesmos? Suas Excelências, para ali, suas Excelência para aqui, e depois é o que se vê, o que se ouve, o que se suspeita e o que é insuspeitável.

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