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Francisco Moita Flores: “Ser militante PSD? Nem pensar!”

Recandidata-se à Câmara Municipal de Santarém o mais mediático ex-polícia português. A semana passada foi acusado de fazer favores a amigos autarcas e maçons. Responde: “Conheço bem as intenções de quem escreveu e do seu informador”.

 

Francisco Moita Flores mantém uma boa disposição serena. O seu nome voltou de novo à ribalta: a polícia apanhou-o nas escutas ao caso da venda de um imóvel dos CTT em Coimbra por um valor muito superior ao que valia. Moita Flores foi escutado e apontado,  pela revista “Sábado” como maçon que faz favores a amigos. A “O Diabo”, o autarca de Santarém responde a esta e a outras questões, e explica porque voltou atrás na decisão de abandonar a Câmara Municipal de Santarém. Para quem o critica por estar mais tempo na televisão do que na Câmara, também tem resposta.

 

O Diabo - Recandidata-se à Câmara Municipal de Santarém depois de, a meio do mandato, ter chegado a afirmar que não o faria. O que o fez mudar de ideias?

 

Francisco Moita Flores - Alteraram-se as circunstâncias. Não só se geraram em vários sectores sociais e políticos vários movimentos de apoio à minha recandidatura, como começaram a chegar novos projectos, sobretudo depois das negociações com o governo e as autarquias a propósito da transferência do aeroporto para Alcochete, que abrem desafios que Santarém tem de vencer. E assim, abandonando o meu próprio egoísmo, que me interpela no sentido de regressar à minha vida como escritor e professor, decidi-me pela recandidatura.

 

O Diabo - Vai a votos 15 dias depois das legislativas. Considera que o sentido de voto a 27 de Setembro pode condicionar depois os eleitores a 11 de Outubro, com a teoria de “não por os ovos no mesmo cesto”? Se o PSD ganhar as legislativas é pior para si?

 

Francisco Moita Flores -  Não, não acho. São coisas distintas. É pena serem duas campanhas sem intervalos, mas é bom que se realizem em dias diferentes. Ao contrário de uma certa análise de sofá, de analistas que não conhecem o palpitar do país, as pessoas são inteligentes e percebem aquilo que está em jogo. As eleições autárquicas estão bem longe do carácter ideológico que vive no centro do debate para as legislativas. A política de proximidade não admite outra coisa que não seja resolver problemas concretos. Daí, que pesem pouco as maiorias que funcionam no Parlamento. Sempre existiram bons presidentes de câmara de todos os partidos e existem incompetentes em todos os partidos. Se o PSD ganhar as eleições, terei a mesma forma de actuar que tenho com a actual maioria. Aquilo que for bom para Santarém merece o nosso aplauso. Aquilo que não for bom para Santarém, terá a resposta que cada problema merecer. Enquanto autarca, o meu compromisso é com Santarém e nada mais. Foi assim que aceitei ser apoiado pelo PSD. É assim que continuará a ser com ou sem PSD no Governo.

 

O Diabo - A sua independência é para manter ou já sente o apelo de militar no partido que o apoia, o PSD?

 

Francisco Moita Flores - Cada vez mais independente. Há uns anos ainda hesitei. Agora, nem pensar. Apesar do respeito pela importância dos partidos no funcionamento do sistema democrático, aquilo a que tenho assistido, vivido e testemunhado nos últimos quatro anos convenceu-me definitivamente que não estou disponível para ser militante de causas encarceradas nas perspectivas imediatas deste ou daquele partido. Apoio aquilo que acho bem feito ou bem desenhado do ponto de vista estratégico, estou fora de coisas que não me entusiasmam e, na maioria dos casos, nem me interessam.

[continua na edição impressa]

 

o diabo que o carregue: Iberismo

As luminárias da estatística aplicada acabam de chegar a mais uma brilhante conclusão: 30 por cento dos espanhóis e 40 por cento dos portugueses “apoiariam” uma “federação ibérica”. Dito assim, até parece verdade. Tendo ouvido “os portugueses” e “os espanhóis”, o extraordinário “barómetro” reflectiria de facto uma opinião, uma tendência, uma conclusão. Mas já todos sabemos que entre as “sondagens” e a realidade há um abismo difícil de transpor.

Carimbos de certificação académica não faltam a este “Barómetro de Opinião Luso-Espanhol” há dias divulgado (em Madrid, claro): vem chancelado pelo Instituto de Estudos Sociais da Universidade de Salamanca e pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa de Lisboa. Mas vai uma pessoa a ver a letra miudinha da sondagem e logo depara com a ficha técnica. E então percebe como se cozinham as grandes “federações ibéricas”. Pois, para chegarem ao inacreditável corolário, os estatísticos aplicados ouviram um total de… 876 pessoas, das quais 363 portuguesas e 513 espanholas! E ouviram-nas ao telefone!

Com base nesta pequena ficção, o “barómetro” tece intrincados raciocínios sobre as relações entre os dois países, o aproveitamento da água dos rios, os investimentos empresariais, as ligações ferroviárias e a eficácia policial. Se, em vez de terem ouvido 876 almas, tivessem ouvido 1.000, quase podiam dar a solução para o conflito israelo-árabe!

Perante o desconchavo, até o Bloco de Esquerda esboçou um sorriso de troça, ao dizer que uma hipotética federação ibérica “não se coloca hoje em dia”. O eurodeputado Capoulas Santos foi mais directo: pura e simplesmente, “não acredita nos resultados do estudo”!

Desta vez, os “federadores” estatísticos não tiveram mesmo jeitinho nenhum. Mas o que eles querem sabe a gente…

FRA DIAVOLO

 

A verdadeira dimensão de Portugal

A proverbial imagem de Portugal como pobre e pequena nação periférica, sem recursos, numa Europa exuberante de riqueza, capacidade e centralidade, é pura miopia. Miopia tão mais grave quanto, imposta essa imagem por terceiros, estrangeiros ou tão só estrangeirados, hoje, para nós próprios, assim nos figuramos e representamos, sem mínima hesitação e ainda menos reflexão sobre a veracidade ou adequabilidade de tão abstrusa afirmação como disparatada figuração e representação.

[continuar a ler no Albergue Português]

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