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Investigação ao Freeport mete férias à beira das eleições

A investigação ao caso de alegada corrupção no centro comercial de Alcochete, que envolveu o nome do primeiro-ministro José Sócrates e foi considerada “urgente”, esteve de férias durante o mês de Agosto…

 

"O Diabo" sabe que as diligências seguem em ritmo lento porque muitos investigadores e magistrados estão a banhos. Fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou ao nosso jornal que há "poucos ou nenhuns" avanços no caso que, a 23 de Junho, era considerado de "carácter urgente" pelo Procurador-Geral, Pinto Monteiro. A pressa soçobrou, aparentemente, ao sol e calor do Verão. "O Diabo" tentou obter, insistentemente, explicações sobre este abrandamento num caso de corrupção em que foi envolvido o nome do primeiro-ministro. Sem sucesso. As férias do pessoal da PGR impossibilitaram qualquer resposta oficial.

 

Parado está ainda o processo-crime para determinar se houve pressões à investigação do caso Freeport. O Supremo Tribunal de Justiça iniciou as audições em Julho, mas deteve-se, por causa das férias, à entrada de Agosto. O inquérito resulta de uma denúncia que o Movimento para a Democracia Directa fez à Procuradoria-Geral da República, a 7 de Abril. Nessa queixa, o Movimento dizia que os dois procuradores titulares do caso teriam sido pressionados para arquivar as suspeitas de corrupção referentes ao Freeport e ao primeiro-ministro José Sócrates. A denúncia apontava Lopes da Mota, presidente do Eurojust, Alberto Costa, ministro da Justiça, e o próprio primeiro-ministro como conhecedores das pressões.

 

Este inquérito-crime decorre no Supremo, uma vez que Lopes da Mota tem a categoria de procurador-geral-adjunto, além de ser presidente do Eurojust, organismo que facilita o contacto entre as polícias de investigação europeias.

 

O Movimento considera que existiram pressões que podem ter implicado a prática de crimes de coacção sobre funcionário, tráfico de influências, favorecimento pessoal, denegação de justiça, prevaricação e abuso de poder.

 

Noutra frente da investigação, sabe-se agora que a Polícia Judiciária encontrou, nos finais de Julho, suspeitas sobre a origem de depósitos bancários datados de 2002 e no valor de 200 mil euros. Estes depósitos foram feitos nas contas do arguido Carlos Guerra, ex-presidente do Instituto de Conservação da Natureza. Carlos Guerra dependia directamente de José Sócrates, à época do licenciamento do Freeport de Alcochete. O arguido sustenta que o dinheiro lhe chegou às mãos vindo do sogro, cuja empresa falira e estava a liquidar as contas. Para a investigação, esta defesa é frágil.

 

Segundo o semanário "Sol", estas entregas de dinheiro "não estão justificadas" e "indiciam que poderão ser contrapartidas pecuniárias pelo licenciamento do outlet".

 

Em Junho deste ano, a Procuradoria Geral da República comunicou que o caso Freeport não estaria concluído antes das eleições legislativas de 27 de Setembro, em que José Sócrates concorre como cabeça de lista do PS pelo círculo eleitoral da Covilhã.

 

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