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Jornal O Diabo

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Cristóvão Colombo

HERÓI PORTUGUÊS, NOBRE DE 5 ESTRELAS:

Desmontada a idiotice do plebeu genovês

 

Colombo é o segundo personagem sobre quem mais se escreveu até hoje, só perde para Cristo. Figura de incontornável importância na História da humanidade, tem dado origem ao maior número de parvoíces com que a “ciência” mente aos estudantes e as enciclopédias enganam o conhecimento.

 Reza a “verdade oficial” das páginas em que os Velhos do Restelo parecem ter medo de mexer que o descobridor da América era um plebeu nascido em Génova que depois de vinte anos naquela cidade, sem ter aprendido italiano (nunca soube falá-lo ou escrevê-lo), veio para Portugal e – milagre – em poucos anos aprendeu latim, português, espanhol, grego, hebraico, filosofia, cosmografia, cartografia, navegação… transformando-se numa das mentes mais cultas do seu tempo!

Além disso, como está documentado, tornou-se amigo pessoal de D. João II e frequentador assíduo da Corte, o que faria dele, enquanto plebeu e estrangeiro, um caso único nas monarquias do Século XV.

Mais ainda, casou com uma Dama nobre da Ordem de Santiago, D. Filipa Moniz de Perestrelo, que só podia casar com ordem do Rei e nunca com um homem abaixo da sua classe.

Só estas duas circunstâncias chegam para demonstrar a gigantesca idiotice de um zé-ninguém estrangeiro que de repente se vê com acesso pleno aos mais altos círculos de poder e aos mais bem guardados segredos de estado da nação mais poderosa do mundo, numa sociedade que não admitia mistura de classes.

Isso teria sido impossível!

 

O GENOVÊS E O PORTUGUÊS

Donde vem, então, a confusão?

De dois factos.

Em primeiro lugar, existiu efectivamente um Cristoforo Colombo genovês, só que nunca descobriu a América! Trata-se de duas personagens diferentes. Aliás, Colombo ele nunca se chamou, mas sim Colon, como vários documentos provam, incluindo uma bula papal de Alexandre VI, toda em latim, em que apenas duas palavras são portuguesas: Cristofõm Colon, o nome do navegador. O sufixo “fõm”, que mais tarde derivaria para o nosso “vão”, aparece acentuado com um til – nunca houve, nem há, nenhuma língua no mundo que acentue o “o” com um til, a não ser o português. Ou seja, o Papa não escreveu o nome dele em latim, nem em espanhol, nem em italiano, escreveu-o em português… porque seria?...

Por outro lado, o Colombo genovês nasceu em 1551, mas temos dois documentos escritos pelo punho de Colon que dão a sua data de nascimento como 1447.

Em segundo lugar, porque um nobre português, em determinada ocasião, mudou de nome e passou a usar o pseudónimo de “Cristovão Colon”, por não ter qualquer registo de pertencer à nobreza lusitana ou ligações de vassalagem ao rei português, o que permitiu enviá-lo a Castela e distrair a atenção dos Reis Católicos da coisa mais importante de então: a descoberta do caminho marítimo para a Índia, onde estavam todas as riquezas.

Foi o que sucedeu. Numa época em que Portugal liderava a expansão marítima, quase tudo era feito em segredo, porque não tínhamos povo suficiente para tomar posse de tantas terras, o que nos trazia os castelhanos sempre no encalço. O próprio Brasil foi alcançado pelos portugueses muitos anos antes da “descoberta oficial” em 1500.

Era necessário, portanto, que os espanhóis ficassem entretidos com novas terras e nos deixassem em paz para chegarmos à índia sem concorrência. Foi esse o papel de “Cristóvão Colombo”. Um êxito!

 

O INÍCIO DA CONFUSÃO

Com estas tramas e segredos, as páginas da História acabaram por embarcar numa teia de confusões que dura até hoje. A primeira foi assinada pelo historiador Rui de Pina, que lhe chamou “colombo italiano” – mas isso era de esperar, porque ele foi o escriba oficial de D. João II, a quem convinha que os espanhóis não relacionassem Colombo com a casa real portuguesa. Os quatro historiadores que se lhe seguiram limitaram-se a copiar Rui de Pina e a coisa manteve-se.

No entanto, escritos da época referem-se a Colombo como “o Infante de Portugal”. Menéndez Pidal diz que “o seu vocalismo tende para o português” e o mesmo afirmam Simon Wiesenthal e Altolaguirre y Duval.

É curioso referir que juristas de há mais de quatro séculos não se deixaram enganar quando os descendentes dos Colombos genoveses tentaram deitar mão à herança do navegador, num processo que terminou com a entrega dos bens a D. Nuno de Portugal, neto de Diogo Colon…

 

AS TEORIAS

Quem era então Cristóvão Colombo, antes de ter assumido o pseudónimo?

Como os historiadores preferem a preguiça do que está escrito à investigação do que não bate certo, há muito por descobrir. Têm sido outros a arregaçar as mangas e pesquisar, sem apoios nem facilidades. Mascarenhas Barreto fez o primeiro estudo profundo e publicou vários livros, que inspiraram investigadores como Manuel Rosa e Manuel Luciano da Silva, sobre quem Manoel de Oliveira fez mesmo um filme, intitulado “Cristóvão Colombo, o Enigma”. Desde há 80 anos que mais de uma dezena de escritores se debruça sobre o tema, de Patrocínio Ribeiro a José Rodrigues dos Santos, de Pestana Júnior a Julieta Marques.

Um erro clássico tem sido procurar um “Cristóvão Colon” em Portugal antes de 1484: não existia, terá sido por essa ocasião que mudou de nome.

Uma coisa é certa: fosse qual fosse o seu nome antes disso, teria que ser um português de origem nobre, ou nada do que sucedeu depois poderia ter sucedido.

Na falta de documentos (ou da busca deles), várias teorias foram sendo construídas, como “puzzles” em que tudo faça sentido e tudo se explique. O mais credível deles, aquele em que nenhuma peça fica fora de encaixe, é o do filho bastardo de D. Fernando Duque de Beja e de Isabel Gonçalves Zarco, nascido na vila de Cuba, no Alentejo, com o nome de Salvador Fernandes Zarco.

Vista por esse ângulo, a História faz todo o sentido e ficam explicados todos os grandes e pequenos acontecimentos que viriam a acontecer nos anos seguintes e estão documentados. É uma teia sem buracos.

 

AS PROVAS

Há muitas, incluindo 477 análises de ADN feitas a todos os descendentes das famílias Colombo genovesas que conseguiram encontrar-se até hoje: todas negativas.

Seria exaustivo enumerar as centenas de “dicas” que atestam a portugalidade de Colon, como ser chamado de “nosso espicial amigo en sevilla” por D. João II ou ter dado às terras descobertas no novo mundo centenas de nomes portugueses, entre os quais 42 de localidades no Alentejo, portanto contarei apenas duas histórias que não precisam de explicação para que se faça luz.

 

A DESCOBERTA DA AMÉRICA

Factos concretos e documentados:

Após a descoberta do Novo Mundo ao serviço dos reis espanhóis, Cristóvão Colombo não regressa a Espanha, regressa a Portugal. Vem para Lisboa, sobe o Tejo até ao Restelo, vai dormir a Sacavém e passa três dias com D. João II em Vale do Paraíso. Depois, vai encontrar-se com a Rainha em Vila Franca, dorme em Alhandra e levanta ferros… rumo a Faro, onde passa mais um dia. Ou seja, fica uma semana em Portugal antes de ir dar a boa nova aos “patrões”, numa época em que não havia internet ou telemóvel e ninguém sabia ainda que o Novo Mundo havia sido descoberto!

 

UM INSIGNIFICANTE ENTRE NOTÁVEIS

A mais indesmentível das afirmações de que Colombo é português está bem à frente dos nossos olhos há 280 anos… e foi preciso que Julieta Marques o descobrisse, num país que parece tratar o seu património como folclore para turistas, ao invés de aprender o que encerra para nos ensinar a nossa própria história.

No Palácio Nacional de Mafra existe a “Sala dos Heróis Portugueses” também conhecida como “Sala das Descobertas”, cujo tecto reproduz um fresco de Cirilo Machado mandado pintar por D. João V, onde podem ver-se quatro notáveis heróis portugueses, dois dos quais identificados por uma legenda pessoal.

No canto inferior direito está Pedro Álvares Cabral e por cima uma figura que os estudiosos se dividem entre atribuir a Vasco da Gama, Bartolomeu Dias ou Duarte Pacheco Pereira.

Os dois retratos identificados, porém, não deixam dúvidas: logo a abrir o painel, está o Príncipe Navegador, com a legenda: “Infante D. Henrique de Portugal”. Abaixo, amargurada pelas correntes de Bobadilha, a figura do descobridor da América, identificada pelos dizeres “A CASTILLA Y A LEON NUEVO MUNDO DIÒ COLON”.

Então, que estaria um plebeu cardador de lãs de Génova a fazer no meio de tão ilustres nobres, na “Sala dos Heróis Portugueses”?...

Que é o descobridor do Novo Mundo, é ponto assente. Que se chamava Cristóvão Colon, está documentado... que é um “Herói Português” deixa de ser objecto de dúvida!

Probato est !!!

 

O QUE FALTA

Falta seriedade, falta pesquisa, falta interesse! Falta honra!

Quando se descobre que o que se julgava saber está errado, procura-se a verdade! Os documentos que nos faltam só aparecerão se forem procurados!

 

A MADEIRA

Quando apresentei o livro “O Alentejano que descobriu a América” na Madeira, chamei a atenção para o facto de Colombo ali ter vivido, casado e tido o primeiro filho. Se existem documentos relacionados com a sua vida no Arquipélago, com o casamento ou com o nascimento de Diogo Colon, o mais provável é que estejam na Madeira.

Convidei já Manuel Luciano da Silva e Sílvia Jorge da Silva para uma visita de estudo e uma pesquisa profunda aos espólios da Ilha, depois de uma promissora conversa com Miguel Albuquerque, em que o Presidente da Câmara do Funchal me garantiu apoio total e acesso incondicionado ao que possa existir e vir a ser descoberto.

 

O LIVRO

Quando decidi escrever sobre este tema, descobri que os livros sobre Cristóvão Colombo têm centenas de páginas e dificilmente interessarão leitores fora dos circuitos académicos. Portanto, resolvi fazer um livro que pode ler-se em poucas horas, contando o essencial da história e a cronologia dos factos numa linguagem acessível, no intuito de chegar, não só à opinião pública em geral, como aos estudantes em particular.

Saiu já em inglês e espanhol, está a ser traduzido para outras seis línguas e esgotou duas edições em português. A próxima vai incluir uma emissão especial para a Madeira, apropriadamente intitulada “O Zarco que descobriu a América”, apelando à memória histórica dos madeirenses (à semelhança do que próprio Rei Juan Carlos de Espanha fez à poucos dias, num discurso em português ao receber a Medalha de Ouro do Funchal), porque se trata de uma terra maravilhosa descoberta por João Gonçalves Zarco (1419), figura de grande prestígio nas Ilhas e que antecedeu em 73 anos outra grande descoberta, a da América, esta pelo seu neto de sangue que a História ficaria a conhecer como Cristóvão Colombo.

 

Pedro Laranjeira [página pessoal]

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