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Jornal O Diabo

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o diabo que o carregue: Iberismo

As luminárias da estatística aplicada acabam de chegar a mais uma brilhante conclusão: 30 por cento dos espanhóis e 40 por cento dos portugueses “apoiariam” uma “federação ibérica”. Dito assim, até parece verdade. Tendo ouvido “os portugueses” e “os espanhóis”, o extraordinário “barómetro” reflectiria de facto uma opinião, uma tendência, uma conclusão. Mas já todos sabemos que entre as “sondagens” e a realidade há um abismo difícil de transpor.

Carimbos de certificação académica não faltam a este “Barómetro de Opinião Luso-Espanhol” há dias divulgado (em Madrid, claro): vem chancelado pelo Instituto de Estudos Sociais da Universidade de Salamanca e pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa de Lisboa. Mas vai uma pessoa a ver a letra miudinha da sondagem e logo depara com a ficha técnica. E então percebe como se cozinham as grandes “federações ibéricas”. Pois, para chegarem ao inacreditável corolário, os estatísticos aplicados ouviram um total de… 876 pessoas, das quais 363 portuguesas e 513 espanholas! E ouviram-nas ao telefone!

Com base nesta pequena ficção, o “barómetro” tece intrincados raciocínios sobre as relações entre os dois países, o aproveitamento da água dos rios, os investimentos empresariais, as ligações ferroviárias e a eficácia policial. Se, em vez de terem ouvido 876 almas, tivessem ouvido 1.000, quase podiam dar a solução para o conflito israelo-árabe!

Perante o desconchavo, até o Bloco de Esquerda esboçou um sorriso de troça, ao dizer que uma hipotética federação ibérica “não se coloca hoje em dia”. O eurodeputado Capoulas Santos foi mais directo: pura e simplesmente, “não acredita nos resultados do estudo”!

Desta vez, os “federadores” estatísticos não tiveram mesmo jeitinho nenhum. Mas o que eles querem sabe a gente…

FRA DIAVOLO