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Jornal O Diabo

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PSD atrasa liderança, Aguiar Branco mais candidato

O líder parlamentar do PSD, José Pedro Aguiar-Branco, está a ser pressionado para aceitar uma eventual candidatura à liderança do partido.

O arrastar da decisão de Marcelo Rebelo de Sousa e o seu trabalho como líder parlamentar têm dado ao advogado do Porto um terreno fértil para se afirmar como o candidato mais consensual dentro do grupo de apoiantes de Ferreira Leite. Esta semana Rui Machete, presidente da Mesa do Congresso do PSD, recusou antecipar as eleições directas para a liderança, ao arrepio do que Marcelo defendeu. “É natural que haja pessoas um pouco nervosas e ansiosas por iniciar a corrida, mas penso que devemos fazer o processo com tranquilidade, porque o momento é complicado, em termos de partido e de país, e portanto teremos de ter o cuidado de não cometer erros e de encontrar uma solução que seja satisfatória”, disse o reputado social-democrata, que acrescentou: “Os partidos não são apenas dos seus membros, têm uma função política e, portanto, de algum modo são responsáveis perante o país”.

Também esta semana Aguiar Branco se pronunciou sobre a liderança. Diz, sobre o calendário eleitoral interno: ”Estamos no Outono, um bom período de reflexão, mas é na Primavera que veremos o desabrochar de novas lideranças. A próxima liderança não pode falhar porque o país precisa da nossa responsabilidade”, afirma.

Questionado ainda sobre a sua eventual candidatura, Aguiar Branco abre um largo sorriso, faz uma pausa e dispara: “Eu quando me candidato a um cargo não penso em mais nenhum. Não actuo com reserva mental e, por agora, só penso neste cargo”, diz, lacónico, quanto à apresentação de uma alternativa a Pedro Passos Coelho.

Perante as críticas a que o PSD tem sido submetido, por parte dos comentadores e adversários políticos, Aguiar Branco é claro: “Eu fico com pele de galinha quando vejo a facilidade com que comentadores, analistas e quem se presta a falar do PSD fala do partido como se fosse uma 'instituiçãozinha' qualquer, sem grande expressão no país e que está em vias de desaparecer”.

Este fim-de-semana foi Freitas do Amaral a entrar em cena com comentários à situação interna do PSD. Numa entrevista extensa ao Diário de Notícias, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de José Sócrates diz que ainda acredita na possibilidade de Marcelo Rebelo de Sousa voltar atrás com aquilo que, por ora, parece um “não” definitivo à liderança dos sociais-democratas. “Eu já o ouvi dizer que não seria presidente do partido nem que Cristo voltasse à Terra. Tanto quanto sei, com muita pena minha, Cristo não voltou à Terra, mas ele foi presidente. Temos de interpretar as suas declarações, e dos líderes políticos em geral, sempre com a cláusula "neste momento, acho que não vou avançar" “, diz o também ex-líder do CDS. Sobre Manuela Ferreira Leite, Freitas demonstra até uma certa simpatia: “É uma pessoa com muitas qualidades pessoais e profissionais, mas, possivelmente, não nasceu para aquilo. Tive a sensação de que não iria triunfar - estou à vontade para falar disto porque também nunca triunfei em eleições em Portugal - no dia em que anunciou a candidatura à liderança do PSD. Disse que a decisão tinha sido a mais difícil da sua vida, com ar muito sério e um pouco triste quando nesse momento deveria dizer "esta foi a decisão que mais alegria me deu".

As eleições para a liderança do PSD ainda não estão marcadas. A liderança de Ferreira Leite prefere que sejam apenas em Março, depois da votação do Orçamento de Estado de 2010, mas a oposição interna exige que se antecipe calendário para Janeiro, dando possibilidades a vários candidatos se apresentarem numa campanha interna alargada, que promova o debate sobre o futuro do partido. Do lado dos que querem antecipar estão, curiosamente, Marcelo Rebelo de Sousa, Passos Coelho e Luís Filipe Menezes.