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Jornal O Diabo

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Alegre perde apoios

O socialista está sem fundos para a campanha presidencial e José Sócrates pondera os nomes de Guterres e Vitorino para o substituir contra Cavaco Silva.

 

O socialista Manuel Alegre está a ficar sem apoios para a sua candidatura à presidência da República. Nas últimas semanas vários foram os apoiantes financeiros do Partido Socialista que fizeram saber à direcção de José Sócrates que, caso decida apoiar o ex-deputado, não tencionam dar dinheiro para a campanha. Estes empresários consideram que Alegre pode não ter condições para fazer pontes com um eventual governo de direita que suceda à actual composição da Assembleia. Assim, Alegre tem tido alguns contactos com os potenciais apoios do Bloco de Esquerda e do Movimento independente de Cidadãos para deitar contas à campanha, que pode não custar menos de um milhão de euros.

 

Para reunir tais apoios Alegre precisa, pelo menos, de dois terços do dinheiro a entrar via fundos privados. Doações que podem ser feitas à futura candidatura.

 

Mas o PS já pensa em alternativas a Alegre – nome que está cada vez mais longe de ser o escolhido do partido da rosa. António Guterres e António Vitorino são os melhor posicionados para atacar Belém. Os apoios do PS vêm com bons olhos uma candidatura do antigo primeiro-ministro. O seu discurso de saída, acusando o País de ter entrado no “pântano” pode servir de conceito moralizador ao País e, inclusive, inibir alguns votos de centro-direita no candidato Cavaco Silva. Sondagens internas relatadas a O Diabo dizem, porém, que António Vitorino bateria candidatos como Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa ou mesmo Leonor Beleza, o que coloca o ex-comissário europeu também em boa posição. Vitorino, ao contrário de Manuel Alegre, reúne alargado consenso dos sectores privados de apoio financeiro para uma campanha eleitoral. E é outra figura que faz a ponte com a direita.

 

De fora, para já, estão Jaime Gama, Jorge Sampaio e Ferro Rodrigues, três personalidades socialistas cujos nomes foram atirados para a praça pública sem grande impacto. Gama é considerado demasiadamente conciliador e pode apenas concorrer se o PS quiser fazer o jeito a Cavaco e perder as eleições propositadamente. Ferro Rodrigues e Jorge Sampaio, por seu lado, não querem correr a Belém. Sampaio, porque disse ao seu círculo interno que basta ter passado uma vez pelo cargo. Ferro, porque considera ainda não ter recuperado do escândalo kafequiano em que foi envolvido, aquando do processo Casa Pia. O candidato socialista contra Cavaco Silva (ou apesar de Cavaco Silva) deve ser escolhido em Maio do ano que vem, ao mesmo tempo que se conhecer o novo líder do PSD.