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Aguiar a caminho de aliança com Passos

Um acordo entre Aguiar Branco e Marco António Costa põe o líder parlamentar no caminho de uma aliança com Passos Coelho. Marcelo está mais isolado, apesar das sondagens que o dão como preferido.

 

José Pedro Aguiar Branco, o líder parlamentar do PSD, está disponível para conversar sobre apoios a dar à candidatura de Pedro Passos Coelho à presidência do PSD. Na última semana o advogado do norte, que se impôs como chefe da bancada dos sociais-democratas, começou conversas com a candidatura de Passos Coelho. O objectivo é aferir das condições que Passos terá para oferecer a Aguiar Branco - principalmente na estrutura partidária e na continuidade da liderança da bancada parlamentar.

 

Pedro Passos Coelho, sabe O Diabo, tem sido cauteloso na aproximação a Aguiar Branco, uma vez que este ainda é vice-presidente do PSD e foi escolhido por Manuela Ferreira Leite. Mas depois da pressão que Marcelo Rebelo de Sousa fez perante a candidatura de Passos Coelho, forçando quase a sua desistência, a táctica dos passistas mudou. O apoio do actual chefe dos deputados pode ser essencial para recuperar votos internos e, acima de tudo, ter uma boa presença na Assembleia - carente de vozes discordantes da actual direcção e que podem ser, caso Passos seja eleito, um grupo difícil de dominar.

 

Aguiar Branco, já pensou nisso deixou de fora da liderança da bancada nomes como José Pacheco Pereira e José Luís Arnaut - dois cavaquistas transformados em barrosistas que estão sentados agora na última fila da Assembleia.

 

Um acordo anterior às eleições legislativas está a facilitar o diálogo entre Aguiar Branco e Passos Coelho. O primeiro tem um entendimento do Marco António Costa, o chefe das hostes sociais-democratas a norte do País, onde se concentram mais votos militantes. O acordo incide numa estratégia mais lata: Marco António quer a Câmara de Gaia, despacha Luís Filipe Menezes para a Câmara do Porto e, ao mesmo tempo, ambiciona uma das vice-presidências partidárias – com Passos Coelho ou com outro candidato.

 

Aguiar Branco, para já, diz apenas que não virará as costas a qualquer tipo de combate, mas nem os apoiantes de Ferreira Leite, Marques Mendes ou Rui Rio querem o advogado do Porto queimado rapidamente. Assim, preferem que faça uma boa carreira contra Sócrates no Parlamento e se torne uma mais-valia para o partido, dentro de alguns anos.

 

Passos vira à direita

 

Compreendendo a necessidade de estancar votos que perdeu para o CDS, a candidatura de Passos Coelho está a preparar-se para apresentar um programa que ataque, já, a ala direita do partido - e o espaço curto que a separa do CDS. Miguel Relvas, de Londres, diz a O Diabo apenas que “está tudo a ser trabalhado ainda”, sem querer revelar mais pormenores. Mas O Diabo sabe que o programa de Passos Coelho agarra nas ideias de mais Estado na protecção social mas menos intervenção estatal na economia. Os casos “Face Oculta” e “Freeport” vêm a calhar para Passos Coelho, que demonstrará assim a necessidade de retirar ao Estado e ao Governo o controlo de empresas como a EDP, a Galp, a REN, a Refer ou os CTT – e com isto realizar receitas adicionais para equilibrar as finanças públicas.

 

Outro dos trunfos de Passos Coelho é apresentar uma equipa de direcção onde são varridos todos os nomes que ainda restam do cavaquismo. A saída de Deus Pinheiro da Assembleia sem aquecer lugar pode ser dada como exemplo de o que os cavaquistas entendem como poder: ou vão para lugares executivos ou acabam desistindo. Passos quer acabar com este tipo de comportamentos.

 

Morais Sarmento sossega

 

Outro dos nomes que estava em cima da mesa e que conta para a distribuição de votos é Nuno Morais Sarmento. O antigo ministro de Durão Barroso apareceu a sustentar uma mudança de rumo no partido, mas não assumiu qualquer candidatura. Sarmento, sabe O Diabo, deve apenas fazer uma declaração de apoio, que pode ser a Passos Coelho, se Marcelo, definitivamente, se afastar da corrida.

 

Um dos seus apoiantes revela: “O Nuno não quer agora entrar num combate que sabe só divide o partido. Vai afastar-se, para dar espaço à renovação. As pessoas sabem que podem contar com ele, mas está empenhadíssimo no seu escritório de advogados e não lhe conviria sair neste momento, a não ser que o cenário de liderança pusesse o partido em causa”. Um destes “cenários” é uma candidatura de Aguiar Branco contra Marcelo ou Passos. Seria apenas para marcar posição, mas queimaria o actual líder parlamentar aos olhos da opinião pública.

 

No entanto, uma recente sondagem encomendada por jornais portugueses, dá Marcelo em vantagem perante Passos Coelho, num resultado de 60 pontos para o professor contra 40 para o jovem social-democrata. Nada que preocupe a campanha de Passos Coelho: “Estamos cientes que a visibilidade de Marcelo Rebelo de Sousa é muita. Mas assim que Pedro Passos Coelho começar a aparecer, as pessoas entenderão a nova mensagem”, diz um destacado apoiante.

 

Até Janeiro, no entanto, o candidato a líder – o único até agora assumido – marcará apenas pelo silêncio. As hostilidades para a campanha interna devem começar no final do primeiro mês de 2010, daqui a 45 dias.

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