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Jornal O Diabo

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Marcelo quer forçar Passos a desistir

O desejado avança se o jovem sair de cena. A candidatura de Passos Coelho  ainda não sabe o que o professor quer para o PSD e, por isso, por enquanto, não capitula.

 

Marcelo Rebelo de Sousa quer que Pedro Passos Coelho desista da candidatura à presidência do PSD. O comentador só admite candidatar-se ao cargo se houver uma lista única no partido, encabeçada por si ou, pelo menos, com um candidato consensual entre as várias facções.

 

Os apoiantes de Pedro Passos Coelho recusam desistir. Miguel Relvas é claro nas críticas e atem-se apenas a Ferreira Leite: “A actual liderança do PSD não teve oposição interna que lhe prejudicasse a estratégia. Para o que aconteceu não há álibis”, diz. Passos Coelho não vai retirar a candidatura apesar das palavras de Marcelo.

 

No seu programa de Domingo, Rebelo de Sousa não quis admitir uma candidatura. “Se sou candidato caso Passos Coelho desista? Oiça, se a minha avó tivesse rodas seria um autocarro…”, disse o professor de direito e ex-líder do PSD. Marcelo critica duramente os apoiantes de Manuela Ferreira Leite por estarem já a empurrá-lo para a liderança, considerando que é cedo para tomar posições. “A questão não é ser candidato. A questão é haver ou não condições para a unidade. Pode ser candidato uma pessoa qualquer”, sustentou o analista. E disparou: “Foi uma semana pouco feliz para o PSD, em que se discutiram nomes e se digladiaram facções. Não é isso que defendo, não foi isso que defendi”. Marcelo recusa ainda qualquer unidade aparente do partido, quando acusa os apoiantes de Passos e de Manuela de não sossegarem.

 

De facto, o clima dentro do PSD é volátil. O eurodeputado Paulo Rangel veio a público dizer que está “fora de hipótese qualquer candidatura à presidência do PSD” e apoiar uma eventual corrida de Marcelo. Mas, ao mesmo tempo, criticou Passos Coelho, o que deu ao professor de Direito o pretexto para afirmar que continua a luta de facções. Outro dos homens que veio a público solicitar Rebelo de Sousa para a corrida à liderança foi José Luís Arnaut, que considerou Marcelo o melhor candidato. O mesmo fez José Eduardo Martins: “Não há ninguém em melhores condições de ser presidente do partido, nem há melhor candidato a primeiro-ministro”, sustentou o deputado. Já Nogueira Leite diz que o professor chega numa “lógica de passado” e que a corrida de Marcelo seria uma aposta em “candidaturas gastas”.

 

Empate

 

As contas não estão fáceis. Passos Coelho já as fez e os seus apoiantes calculam que consiga, pelo menos, 50 por cento dos votos directos caso concorra contra Marcelo. Num cenário com outro candidato, Passos acredita que pode mesmo vencer à primeira volta, sem qualquer problema – mesmo contra Paulo Rangel.

 

Braga, Bragança, Porto e Santarém são distritais consideradas seguras pela candidatura de Passos, o que faz qualquer outro candidato pegar na calculadora. Lisboa continua a ser a maior distrital e Carlos Carreiras, o presidente, já veio dar o apoio a Marcelo. Mas se Passos Coelho continuar a ganhar apoios a norte, ficará muito perto de uma maioria absoluta: basta somar Vila Real, Viseu e Aveiro para fechar as contas a seu favor. Isto tendo em conta que as eleições são por voto secreto e que nas restantes distritais que apoiassem outro candidato, Passos ainda assim receberia votos.

 

Esta semana o PSD deve virar-se para a análise crítica ao Programa de Governo, que será apresentado na Assembleia da República. Até à apresentação do Orçamento de Estado, já se sabe, não haverá marcação de eleições directas para líder dos sociais-democratas. Ora, o Governo prevê apenas apresentar o documento no início de Dezembro. Depois, somam-se 45 dias de discussão na generalidade e especialidade. O que atira para final de Janeiro a votação das contas para 2010. A publicação do Orçamento só deverá ser feita em Março de 2010. É então que o PSD deverá marcar eleições para a liderança. Se as facções se aguentarem mais 140 dias.

 

Entretanto, na Assembleia

 

Ao mesmo tempo que o partido discute o futuro líder, na Assembleia, os funcionários estão a viver um clima que apelidam de “tensão permanente”. Numa reunião a semana passada, o líder da bancada parlamentar, José Pedro Aguiar Branco, estabeleceu novas regras de funcionamento e admitiu recorrer a dispensas, caso os colaboradores não se sentissem bem com essas novas regras. Um antigo funcionário do PSD no Parlamento admitiu a O Diabo que os colaboradores sociais-democratas estão “irritados e desgostosos”. “A reunião deixou pessoas em baixo, pessoas com mais de 20 anos de casa que agora podem ter o emprego em risco. É que a maioria não tem direito a subsídio de desemprego”.