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Jornal O Diabo

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Câmara de Lisboa prepara lugares para os “boys”

Há noventa cargos de nomeação política nas empresas municipais de Lisboa que vão começar a ser distribuídos este mês. Só numa delas, a EPUL, os “boys” fizeram gestão danosa de 61 milhões de euros.

 

Novembro vai ser o mês de todas as nomeações para as nove empresas municipais que a Câmara de Lisboa tem a seu cargo. O Diabo sabe que os nomes para ocupar postos de presidente e administrador estão a ser negociados meticulosamente no seio do PS, que detém a maioria da Câmara e da Assembleia Municipal. Mas tudo indica que o PSD também será contemplado com um ou outro lugar menor, questão de acalmar vozes que poderiam ser incómodas. António Costa tem de começar a encaixar os novos administradores e pensar na substituição de alguns concelhos de administração de empresas problemáticas, como a Gebalis e a EPUL, dois sorvedores das finanças camarárias que, supostamente, gerem a construção de prédios, a sua reabilitação e os bairros sociais.

 

Só na EPUL, segundo uma auditoria pedida pela última administração, existe um processo que pode implicar acusação por gestão danosa e que terá lesado a empresa e o erário camarário em 61,2 milhões de euros.

 

A auditoria, feita à administração da empresa municipal e às suas contas entre 2002 e 2008, apurou que esse valor foi mal gasto e desbaratado durante os anos em que Carmona Rodrigues era presidente da Câmara. Os principais danos estarão nos contratos assinados com o Benfica e o Sporting e referem-se ao negócio de cedência e compra de terrenos para a construção de novos estádios. Só para que o Euro 2004, evento promovido pelo governo de António Guterres e liderado politicamente por José Sócrates, para que a capital tivesse estádios novos, a EPUL gastou 23,2 milhões de euros. Cada um dos grandes clubes citados recebeu 9,97 milhões por conta de presumíveis lucros futuros, resultantes da venda de 200 fogos nas urbanizações do Vale de Santo António e na Quinta José Pinto. Só que estas casas nunca foram construídas.

 

Há mais nesta auditoria: os especialistas criticam a autorização dos estudos sobre a requalificação do Parque Mayer, a renovação urbana num terreno camarário em Alcântara-Mar, a mudança da sede da EPUL para o Edifício Alvalade XXI e a construção dos ramais de acesso ao novo estádio do Benfica. Tudo fora do âmbito que justificou a criação destas empresas: construir casas a preço baixo para os habitantes de Lisboa.

 

Nos últimos quatro anos a EPUL já teve três administrações diferentes. Agora, esclarecido este processo contabilístico, deverá conhecer uma quarta. A decisão liga-se à provável reforma que Costa quer fazer à empresa e, ainda, à sua possível fusão com a Gebalis. Esta última gere os bairros lisboetas construídos pela EPUL e tem uma direcção nomeada politicamente. Santana Lopes criticou violentamente as escolhas de António Costa para a administração da empresa e propôs a sua extinção. Mas os socialistas preparam-se agora para projectar a fusão dos dois maiores sorvedouros de dinheiro da cidade, EPUL e Gebalis, tentando demonstrar eficácia gestionária ao decidir que apenas uma única administração encabeçará o que resultar da junção das duas empresas.

 

O Diabo soube que grande parte do financiamento das obras destas duas falidas empresas vem do Estado através do IHRU, Instituto de habitação e Reabilitação Urbana, cuja administração também é afecta ao PS. Nos últimos meses o IHRU tem visto os seus cofres esvaziarem-se com obras feitas em Lisboa que eram da responsabilidade da EPUL e Gebalis

 

Os “tachos” mais ambicionados

Agora, com maioria camarária de esquerda, sem terem de passar pelas negociações com o PSD, as “coisas” tornam-se mais simples. Além das duas grandes empresas de habitação, existem mais sete cujas administrações são cobiçadas: a EGEAC, que gere os eventos culturais em Lisboa, as sociedades de reabilitação urbana da Baixa e de Lisboa Ocidental, a Orquestra Metropolitana, a Lispolis – criada para acompanhar o plano tecnológico – e, por fim, a EMEL, que trata do estacionamento de na capital.

 

Entretanto, outras empresas à volta de Lisboa esperam também nomeações. É o caso do Mercado Abastecedor de Lisboa, o MARL, que aguarda há meses a nomeação de novos administradores. Alguns dos nomes a apontar para o Mercado e para as restantes empresas – e alguns já circulam entre os socialistas – são antigos administradores de outras empresas municipais, entretanto, dispensados das funções ocupadas até agora. Mas há, também, antigos assessores que acreditam ser agora chegada a sua hora…