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Jornal O Diabo

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Suspeitos de terrorismo à solta

Dois homens considerados perigosos fugiram da unidade Habitacional de Santo António dia 19 e ainda ninguém sabe do seu paradeiro. Um deles, Rachid Bem Idris já foi expulso de Espanha várias vezes. A polícia passa a pente fino o País.

 

Era noite alta de 19 para 20 de Julho quando dois imigrantes ilegais fugiram ao controlo das autoridades portuguesas, evadindo-se da Unidade Habitacional de Santo António, Porto. Estão à solta desde esse dia e as autoridades portuguesas lançaram já um alerta internacional à procura de Rachin Bem Idris e Yassine El Amarani, os foragidos que estão ainda a monte. A polícia, logo nas primeiras horas de dia 20 lançou um alerta internacional, porque considera perigosos estes dois homens. A segurança nacional está a fazer tudo para os capturar, mas aparentemente sem sucesso. Rachin é, aliás, bem conhecido das autoridades Europeias. De nacionalidade marroquina, este homem de origem árabe já foi diversas vezes expulso de Espanha, por questões de segurança nacional. Acabou detido em Portugal quando passeava sem controlo no nosso País, depois de pronta intervenção da Polícia. Este criminoso, suspeito de vários crimes e possível ligação a redes internacionais de tráfico de pessoas, órgãos e terrorismo, conseguiu uma vez mais iludir as autoridades.

 

A caça ao homem está a desenvolver-se por toda a Europa, embora as autoridades acreditem que os dois homens possam estar ainda em Portugal. Segundo informações a que “O Diabo” teve acesso, as autoridades espanholas foram imediatamente avisadas, logo no dia 21. As fronteiras de Portugal com Espanha, principalmente a de Vilar Formoso, está em alerta e guarda as fotografias bem como todos os dados necessários à captura dos foragidos, mas sem sucesso até à hora de fecho desta edição.

 

Também às polícias francesa e belga foi distribuída a informação de Bem Idris e El Amarani. O primeiro pode querer fugir para Bruxelas, onde se poderá integrar na grande comunidade marroquina que tem meios de iludir as polícias e re-legalizar os imigrantes, com documentação falsa. Mas há poucas probabilidades de que os dois homens tenham conseguido chegar tão longe em tão pouco tempo, especialmente com as autoridades portuguesas e espanholas em cima do caso. É que Bem Idris está impedido de voltar a Espanha.

 

Estes dois homens não escaparam juntos por acaso, nem sequer travaram conhecimento na Unidade Habitacional de Santo António. A sua história começou há anos e trabalham organizados. Ambos estão identificados como tendo a última morada conhecida em Marrocos, na zona de Salé. As autoridades sabem mais: ambos moravam na mesma rua, embora em números aparentemente diferentes.

 

A Unidade Habitacional de Santo António está ainda a proceder a investigações sobre a fuga. O espaço, uma moderna vivenda na Rua Barão Forrester, é gerida pelo Estado mas conta com duas organizações não-governamentais para ajudar à coordenação da casa: o Serviço Jesuitas aos Refugiados e a Organização Internacional para as Migrações.

 

É nesta casa que se concentram imigrantes que têm ordem de expulsão e que se encontram detidos, à espera da saída do País.

 

Portugal tem sido, nos últimos anos, uma das principais portas de entrada de cidadãos estrangeiros ilegais na Europa. Ponto de passagem, é nas cidades de Lisboa e do Porto que se concentram algumas organizações do submundo que estão dedicadas ao tráfico de pessoas e de órgãos humanos.

 

A Polícia e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras não têm tido mãos a medir, uma vez que a nova lei da Imigração permite que um cidadão estrangeiro chegue ao País e nele possa permanecer pelo menos 30 dias, sem que os papéis estejam todos em ordem. As áreas de maior intervenção da polícia têm sido a zona do Martim Moniz, em Lisboa, e da Costa da Caparica, na Margem Sul do Tejo.

 

Embora as redes terroristas não considerem Portugal um alvo, uma vez que qualquer acção local teria pouco impacto a nível internacional, não se eximem, segundo as autoridades, de fazer passar vários operacionais pelo nosso território. Outra das preocupações do Estado tem sido a vigilância da costa portuguesa, extensa demais para os meios disponíveis, o que permite que embarcações cruzem as águas portuguesas carregados de pessoas e bens ilícitos para distribuição em toda a Europa.

 

Outra grave preocupação é a integração de uma comunidade vinda da América do Sul, principalmente do Brasil. As autoridades sabem, por exemplo, que existe um pequeno grupo de crime urbano organizado, que se intitula “primeiro comando da capital”, à semelhança do que acontece no Rio de Janeiro, a operar na margem Sul do Tejo. Está assinalada dezena e meia de pessoas, mas “O Diabo” sabe que este grupo mantém actividades regulares de recrutamento junto da comunidade brasileira.