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Jornal O Diabo

jornalismo independente

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O país dos 200

No dia a seguir ao debate televisivo entre Ferreira Leite e Sócrates, alguns jornais “de referência” apressaram-se a dar “a vitória” da noite ao chefe do PS. Baseados em quê? É simples: numa sondagem feita pela Aximage, segundo a qual 45,6 por cento dos portugueses achavam que Sócrates tinha “estado melhor” do que Ferreira Leite (30,2 por cento). Um ingénuo perguntar-se-ia, perante tão esmagador veredicto: para quê fazer eleições?

 

Mas o cidadão avisado lê as letras pequeninas. Foi o que fiz. Fiquei então a saber que a sentença cabal daqueles órgãos de Comunicação Social tinha como fundamento um “inquérito telefónico” junto de 200 pessoas (duzentas, leu bem!), assim distribuídas: 95 eram homens, 105 eram mulheres; 58 moravam em Lisboa, 41 no Porto e 101 no resto do país; 51 tinham idades entre os 18 e os 34 anos, 68 tinham entre 35 e 54 anos, e 81 tinham mais de 55 anos. Esfreguei os olhos e li outra vez. Mas não restava dúvida: os grandes títulos “Sócrates ganhou” e “Manuela derrotada” não passavam, afinal, de 200 chamadas telefónicas e muita falta de vergonha.

 

Costuma dizer-se que “as sondagens valem o que valem”. Não há generalização mais injusta, pois umas valem alguma coisa, outras valem pouco e outras não valem nada. Agora, resumir “a opinião pública” a uma loja dos 200 passa todos os limites. Há Comunicação Social que parece ainda não ter percebido que vamos eleger o Parlamento de que sairá um Governo – e não fazer um ‘casting’ para uma telenovela…

 

FRA DIAVOLO