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O Diabo que o carregue: Francisco Anacleto Louça

Há em Portugal um mestre-escola disposto a ensinar-nos a viver em democracia: é o trotsquista Francisco Louçã, dirigente de uma coligação de extrema-esquerda que reúne “a nata” dos velhos defensores da ditadura do proletariado.

 

Ainda agora, mais uma vez a propósito de declarações de Alberto João Jardim, a luminária veio esclarecer o povo ignaro: “A democracia é a liberdade e diferença de opinião”. Isso, por acaso, até nós já sabíamos. O que não sabíamos era que ele sabia.

 

Que dissera Jardim? Apenas isto: já que a próxima legislatura terá poderes constituintes, aproveite-se para rever a Constituição da República no ponto em que ela condena um totalitarismo (“o fascismo”, expressão que hoje se presta a todos os equívocos e aproveitamentos) ignorando outros totalitarismos (como o comunismo).

 

Mestre Louçã não gostou. Compreendemos: embora aproveitando-se das liberdades que a democracia lhe concede, o chefe do Bloco de Esquerda não deixou, aparentemente, de ser um fervoroso adepto do totalitarismo comunista – ou então deixou e ainda não consegue confessá-lo. Vai daí, como é seu timbre, enveredou pelo ataque pessoal e pelo mero insulto.

 

“Como sabe, Alberto João Jardim foi um homem da União Nacional, fez parte do partido da ditadura em Portugal”, disse Louçã, “e portanto tem algum conhecimento por dentro da forma como se impõe uma ditadura e por isso creio que devia aprender um pouco mais com a democracia”.

 

É curioso ser Louçã a dar lições de democracia ao presidente democraticamente eleito do Governo Regional da Madeira. Não só pelo insólito da “acusação” em si mesma mas, sobretudo, pela óbvia falta de autoridade de Sua Excelência na matéria. Quem tem “algum conhecimento por dentro da forma como se impõe uma ditadura” – é precisamente ele, que a vem coerentemente defendendo desde os tempos de rapaz. Honra lhe seja: não se desviou um milímetro dessa linha, nem mesmo quando seu pai, o comandante Louçã, era ainda comandante do vaso de guerra que em 25 de Abril tentou disparar sobre as forças de Salgueiro Maia no Terreiro do Paço.

 

Há “democratas” que faziam melhor figura se ficassem calados.

 

FRA DIAVOLO