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Jornal O Diabo

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88 milhões em propaganda nas Legislativas e Autárquicas

A democracia paga-se

 

O custo, em euros, da propaganda política no próximo mês e meio pagava dois hospitais. Do bolso do contribuinte saem 61 milhões.

 

A campanha para as eleições autárquicas vai custar 75 milhões de euros. Destes, 60 milhões são gastos por PSD e PS: 30 milhões a cada um. A CDU vai pagar 10 milhões, o CDS 700 mil e o Bloco de Esquerda perto de dois milhões.

 

O gasto dos principais partidos subiu em relação às últimas eleições locais, com a excepção do CDS, que concorre a um grande número de autarquias em coligação com o PSD e aproveita a boleia da propaganda, poupando aqui para apostar nas legislativas.

 

Quando se soma o custo das autárquicas com o das legislativas, o valor da propaganda política ascende a 88 milhões de euros. É o valor dos lucros do BPI este ano, ou o custo de dois hospitais iguais àquele cuja primeira pedra o Governo lançou na semana passada, em Lamego.

 

A subvenção estatal para as eleições autárquicas será de 61 milhões de euros. É o voto mais caro de todas as eleições. Por votante, o Estado gasta 12,2 euros por voto nas autárquicas, 1,8 euros nas legislativas e apenas 86 cêntimos nas europeias.

 

O orçamento deste ano para as eleições autárquicas aumentou 15 milhões de euros face a 2005. O CDS, porém, quer acabar com estes gastos. Paulo Portas propôs já o fim dos cartazes de campanha, enquanto Pedro Santana Lopes irá apostar em menos cartazes, substituindo-os por painéis electrónicos, o que permite mudar a mensagem ao longo dos 12 dias de campanha.

 

Só em Lisboa, mesmo assim, o PSD vai gastar 670 mil euros na campanha, dos quais 78 mil oriundos de donativos. Os restantes 592 são dinheiro de impostos. Já o PS gasta com António Costa 540 mil euros, com 80 mil euros a entrar nos cofres, via donativos.

 

A campanha eleitoral para as eleições autárquicas começa na segunda-feira, 28 de Setembro, imediatamente depois das legislativas. Grande parte dos suportes de campanha vai ser usado pelos partidos para colar nova propaganda. Vai ser assim em todas as cidades capital de distrito.

 

Quem fica a ganhar é o PSD e o CDS, que se coligaram em 60 municípios. Estas coligações vão duplicar o número de cartazes, pois as estruturas de suporte de propaganda, até ali divididas em duas mensagens, passarão a ser usadas por uma única candidatura.

O que mais tem custado ao PS, no entanto, é o custo de produção e concepção das campanhas. Os autores de fotografias, desenho de cartazes e concepção global de imagens ganham nove milhões de euros com os socialistas. Curiosamente, o PSD apenas paga 205 mil euros a estes profissionais, o que revela o afastamento do partido das agências de comunicação e dos assessores de imprensa externos.

 

 

O CDS gasta, mesmo assim, 70 mil euros em concepção de campanha, contra os 24 mil euros do Bloco de Esquerda. Só a CDU é que não paga um tostão a designers, assessores e equiparados. Zero absoluto é quanto o PCP e Os Verdes gastam a desenhar cartazes. A explicação é simples: o PCP tem um departamento gráfico e de concepção de campanhas dentro do partido, há mais de 35 anos, profissionalizado e com ajuda de voluntários.