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Jornal O Diabo

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O Diabo que o carregue: José da Silva Lopes

José da Silva Lopes pode ser (e muita boa gente diz que é) um técnico altíssimamente qualificado na área das Finanças. O seu currículo atesta-o: foi administrador do Montepio, governador do Banco de Portugal, ministro do Comércio Externo, das Finanças e do Plano, representante de Portugal no Banco Europeu de Desenvolvimento e consultor do FMI e do Banco Mundial. A sua competência não está em causa. O que nos últimos tempos a opinião pública questionou foi isto: quando já aufere reformas chorudas, e depois de ter deixado o Montepio com uma “compensação” de 400 mil euros, aceitou um lugar de administrador numa empresa do grupo EDP, onde aufere uma remuneração capaz de deixar pálidos de incredulidade os pensionistas portugueses. A pensão média, no nosso país, é de 386 euros. Ora, só do Montepio (onde apenas se manteve ao serviço durante 4 anos), Silva Lopes recebe uma reforma mensal de 4 mil euros. Não estão em causa, repita-se, os méritos técnicos do financeiro, nem sequer (ao contrário do que se tem argumentado com abundância na blogosfera) a sua idade, 77 anos. Não é pela competência nem pela idade que o caso é assombroso. É pelo contraste. É pela evidência de que um passado digno como o seu não pode sair beneficiado deste novo emprego. Com tudo o que já ganha, bem podia trabalhar de borla. Assim, sujeita-se à crítica e ao sarcasmo. E o que lhe dizem não é bonito de ouvir.

FRA DIAVOLO