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Jornal O Diabo

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Suspeita de terrorismo: Estádio do Dragão era o alvo

Dois palestinianos e dois marroquinos foram apanhados num carro roubado em Lisboa à porta do estádio do FC Porto. Autoridades temem ligação terrorista e rede de escravatura

 

 

No início de Julho deste ano, a Polícia de Segurança Pública que fazia o giro habitual junto ao Estádio do Dragão, no Porto, surpreendeu quatro indivíduos de origem árabe a rondar as instalações do edifício, numa viatura automóvel. Ao perceberem que estavam a ser observados, os quatro homens, com idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos, saíram do carro e colocaram-se numa paragem de autocarro ali perto, abandonado a viatura. A polícia abordou-os mas, como os suspeitos só falavam árabe, foram detidos e levados a tribunal. Abdelkader Zenagui e Abdessamad Kouzali, que disseram ser originários da cidade de Ramalah, na Palestina, acabaram por ficar sob detenção e estão a aguardar a sua expulsão do País. Já os outros dois companheiros, Es-Soror e Amid Meklonti, marroquinos, foram colocados com termo de identidade e residência, também com sentença de expulsão.

 

Os serviços de informações portugueses, sabe "O Diabo", estão preocupados com a presença destes homens junto ao estádio do Dragão, principalmente dos dois alegados palestinianos, originários da cidade que é a maior base de apoio ao terrorismo islâmico na Palestina. Fonte próxima da investigação garante ao nosso jornal que "não se pode excluir a possibilidade de as redes organizadas de terrorismo estarem a estudar alvos no nosso País, sendo que o estádio do Futebol Clube do Porto é um palco de acontecimentos internacionais, logo um alvo relevante".

 

O caso não passaria de uma simples detenção de ilegais se, depois de ouvidos em tribunal, as declarações dos palestinos se confirmassem. Mas tal não aconteceu. O 3º Juízo do Tribunal de Pequena Instância Criminal do Porto não obteve resposta às suas perguntas, quando questionou Abdessamad Kouzali, que iria a conduzir a viatura roubada em Lisboa e na qual foi detido. Kouzali, dias mais tarde, ouvido já em detenção nas instalações dos Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), no Porto, declarou ser palestiniano, mas aqui a trama torna-se mais densa. Uma vez que ele e o seu compatriota não possuíam qualquer documento, o SEF pediu à Delegação-Geral a Palestina em Portugal que comprovasse a história dos prisioneiros. Para surpresa e apreensão dos serviços, Abdessamad Kouzali não possui nacionalidade palestiniana. A Delegação-Geral recusa-se a reconhecê-lo porque, diz, "não está registado nos registos oficiais", refere carta datada de 11 de Agosto deste ano.

 

Pior: ambos palestinianos deram como morada uma casa em Odivelas, Lisboa, a 350 quilómetros do local onde foram apanhados pela Polícia, na referida viatura.

 

Abdessamad Kouzali diz ser electricista e o seu compatriota, Zenagui, afirma ser cozinheiro, mas nenhum consegue apresentar documentação que o comprove. Estes cidadãos nem sequer constam das bases de dados internacionais da Eurodac, que mantém registo dos cidadãos ilegais que circulam na União Europeia. As autoridades portuguesas esperam agora resposta da Interpol, a quem forneceram fotografia dos detidos, para confirmar se, sobre eles, pendem mais acusações ou suspeitas. O material apreendido na viatura e junto à paragem de autocarro do estádio do Dragão não foi reclamado por nenhum dos detidos.

 

Os cidadãos marroquinos também detidos parece terem sido apanhados no esquema dos alegados palestinianos. Estando ambos ilegais em Portugal, um deles apresenta prova de que está a tentar naturalizar-se e, inclusivé, está casado com uma portuguesa, de quem espera um filho. Perante este caso, as autoridades nacionais temem que as redes de mão-de-obra ilegal estejam agora a facilitar a entrada a operacionais terroristas oriundos do Médio Oriente.