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Jornal O Diabo

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O Grande comunicador e o grande encobridor

Newt Gingrich*

 

Antigo porta-voz da Senado, Newt Gingrich encoraja o Presidente Barak Obama a utilizar o seu dom de orador para esclarecer – e não encobrir – o público americano sobre as suas iniciativas económicas, de saúde e energéticas. Gingrich lembra-nos que muitos dos sucessos dos primeiros anos de Ronald Reagan foram devidos à sua capacidade de explicar sincera e metodicamente as suas ideias. Quanto mais Reagan falava, maior era o apoio dos americanos, o que prova que se estiver em acordo com os valores e os princípios partilhados pelos americanos, estes aderem.

 

Os republicanos são algumas vezes criticados por se centrarem muito no Presidente Ronald Reagan, assim, aqui está uma ideia: São os Democratas – em especial o Presidente Obama – quem mais precisa de aprender mais com o “actor”.

 

Fez a semana passada 28 anos, em 13 de Agosto de 1981, que Reagan assinou a lei da redução de impostos. O histórico corte de 25 por cento nas taxas foi a primeira redução que os americanos tiveram em vinte anos. Deixavam para trás um período de crescimento económico sem igual e apoiaram Reagan na definição da política interna.

 

Na campanha de 2008, Obama causou alguns suores frios nos seus amigos liberais quando expressou a sua admiração por Reagan, mas Obama tinha razões para o fazer.

 

Como Reagan, Obama propôs um programa de transformação de mudança económica para combater a recessão.

 

Mas ao contrário de Reagan, sete meses passados de presidência, o programa de Obama está a afundar-se enquanto que o de Reagan estava triunfante, após o mesmo período de tempo.

 

Obama deveria perguntar-se porquê.

 

A resposta reside numa só palavra: confiança.

 

Ronald Reagan confiou no povo americano. Costumava dizer que “confiar no povo” era “uma irrefutável lição” da desastrosa experiência do séc. XX do controle governamental da economia.

 

E mesmo se Reagan – ao contrário de Obama – teve de afrontar a Câmara dos Representantes, controlada pela oposição em 1981, foi a sua fé no povo americano que permitiu manter o seu calendário de reformas.

 

Reagan comunicava para esclarecer. Paciente e metodicamente explicou aos americanos os benefícios que a redução de impostos traria à liberdade e ao progresso.

 

Quanto mais Reagan falava, mais e maior o apoio que recebia dos americanos, provando que se se estiver em acordo com os valores e princípios partilhados pelos americanos, estes aderem.

 

Em contraste com isto, Obama comunica demasiadamente para esconder. Como os seus planos de energia e de saúde se baseiam na confiança no governo não partilhada pelos americanos, é obrigado a falar destes temas de maneira que encobre e confunde mais do que esclarece.

 

Como quando promete que a chamada opção pública resultará em “competitividade” no mercado das prestações de saúde.

 

Ou a sua certeza de que as suas propostas de aumentos orçamentais não provocarão novos impostos.

 

Ao contrário de Reagan, quanto mais Obama fala, menos apoio tem dos americanos.

 

Ainda mais confusa do que a maneira como Obama fala aos americanos é a forma como tenta limitar a nossa forma de contestar.

 

Na véspera do Senado ter votado a histórica redução de impostos, Reagan fez um apelo ao povo americano através da televisão e dirigido a todo o país.

 

Uma vez mais explicou porque defendia a redução de impostos. Depois pediu aos americanos que contactassem os seus senadores e representantes para expressarem as suas opiniões.

 

“Não vos venho roubar o vosso tempo esta noite apenas para vos pedir que confiem em mim” disse Reagan. “Em vez disso, peço-vos que confiem em vós próprios”.

 

Depois de 48 senadores democratas se terem juntado aos republicanos para fazer passar as reduções de impostos, um derrotado porta-voz democrata, Tip O’Neill, reconheceu a importância que tinha tido o apelo de Reagan para a vitória. “A intervenção de Reagen”, disse O’Neill, “provocou uma tempestade telefónica como a nação nunca tinha assistido”.

 

Reparem no contraste de confiança nos americanos mostrada por Reagan com a falta desta expressa pela administração Obama.

 

Em vez de ter a confiança para defender as suas ideias, Obama tem tentado apressar a sua agenda no Congresso, com pouco ou nenhum debate, demonizando os que não concordam com ela, e pedindo mesmo aos americanos que delatem os seus próximos que estão em desacordo.

 

Reagan é muitas vezes desprezado quando alguns lhe chamam desdenhosamente “o grande comunicador”, como se o seu estilo oratório e não as suas ideias fossem responsáveis pelo seu sucesso.

 

Os primeiros sete meses de Obama estão a provar que o talento como orador não é suficiente.

 

A lição que Reagan percebeu tão bem em 1981 é ainda verdade hoje.

 

Confiar no povo.

 

*Investigador sénior do American Enterprise Institute for Public Policy Research