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Desemprego pode atingir os 20 por cento, alerta presidente das PMEs

Portugal tem mais de meio milhão de pessoas sem trabalho. O número, assustador, foi revelado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) que o traduziu numa taxa de desemprego de 9,1 por cento. Mas há quem diga que a realidade ainda é pior, que já rondamos os 15 por cento e em breve atingiremos os 20 por cento de desempregados. Apenas José Sócrates minimiza o descalabro da sua política, fazendo comparações com outros países europeus, todos em melhor situação económica que o nosso.

 

Para Augusto Morais, presidente da Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas, “a taxa de desemprego real é já de 15 por cento” e até ao fim de ano vai atingir os 20 por cento. Segundo este responsável declarou a “O Diabo”, os dados agora divulgados pelo INE “não são reais, porque não contabilizam os chamados desempregados voluntários, nomeadamente os freelancer”.

 

As principais centrais sindicais, CGTP e UGT, têm a mesma opinião que Augusto Morais e também são críticas em relação aos números avançados oficialmente. Para a primeira, “nos dados agora divulgados, não são desagregados os inactivos disponíveis, pelo que o número de desemprego real é ainda mais elevado que os 507,7 mil desempregados”. A CGTP recorda que “ao aumento do desemprego junta-se a redução do emprego, com menos de 151,9 mil empregos num ano e perto de 30 mil nos últimos três meses”. Já a UGT, pela voz de Luís Correia, comentou a “O Diabo” o facto de Portugal, habitualmente com uma taxa de desemprego inferior à média comunitária, estar, neste momento, ao nível europeu. E mostrou-se preocupado “com o que pode acontecer a seguir ao Verão, devido à diminuição das actividades conjunturais e às muitas empresas em dificuldades que não vão reabrir após as férias”.

 

Mas o que assusta talvez ainda mais é a revelação, oficial, de que cerca de metade destes desempregados não recebe qualquer espécie de subsídio do governo socialista. Este não só endividou o país como nunca outro – Portugal deve mais do que o seu produto interno bruto, logo está tecnicamente falido – como contribuiu, os números mostram-no claramente, para o aumento das desigualdades sociais e para o aparecimento de um quarto de milhão de portugueses que hoje, e não se sabe até quando, vivem de expedientes vários para sobreviver, aumentando o já enorme número de pobres do país menos rico da Europa Comunitária (ver “O Grande Retrato da Pobreza em Portugal” na edição de “O Diabo” do passado dia 28 de Julho).

 

Os partidos políticos reagiram imediatamente. Á esquerda e à direita todos protestam. Pedro Mota Soares, líder parlamentar do CDS-PP, afirmou que os números de desemprego “representam acima de tudo o sinal, a marca de um país confrontado com uma enorme crise social e económica, devendo o primeiro-ministro dar a cara pelo que é o fracasso da sua governação”. Para Manuela Ferreira Leite, “o desemprego é o ‘sintoma’ das ‘políticas profundamente erradas’ do Governo” e acusou o primeiro-ministro de “fingir que já esperava uma taxa elevada” para dizer que “afinal foi mais baixa”. A deputada Helena Pinto, do Bloco de Esquerda, considera que o crescimento do desemprego é o maior flagelo da crise e desmente “em absoluto as declarações do primeiro-ministro sobre o princípio do fim da crise”. Sim, porque na véspera da revelação do aumento catastrófico do número de desempregados, o primeiro-ministro, sorridente, anunciara que a crise estava a chegar ao fim…

 

Em vez dos 150 mil empregos que prometia recuperar, Sócrates, é verdade que ajudado pela crise internacional, conseguiu um feito único na UE: destruir mais empregos num ano do que os que tinha conseguido criar em três.

 

E quem são estes desempregados? São sobretudo os jovens, com mais de 111 mil empregos destruídos na faixa etária dos 15 aos 34 anos. O fenómeno deixou, contudo, de ser exclusivo dos mais precários. A destruição de emprego foi mais forte entre os contratados a termo ou dependentes de vínculos mais frágeis (80 mil), mas atingiu também cerca de 22 mil contratados sem termo.

 

A saída de um número significativo de pessoas para uma situação de inactividade não impediu um acréscimo de 97,8 mil desempregados, com o número oficial a subir para o recorde de 507,7 mil pessoas. Segundo o INE, os homens, dos 15 aos 34 anos, com baixas qualificações, do sector da indústria e construção foram os que mais “contribuíram” para a diminuição da população empregada e, simultaneamente, para o aumento do desemprego.

 

E perante este cenário pouco animador, em que todos os parceiros sociais prevêem que o desemprego continue a aumentar e permaneça nos dois dígitos, surge o ministro do Trabalho, Vieira da Silva, a admitir ao “Diário de Notícias” que isso aconteça, mas, “por estarmos a assistir a uma alteração da situação económica e por existir no terreno um conjunto muito alargado de políticas activas de emprego, o risco de atingirmos esses valores ficou agora mais afastado”.

 

Em resumo, qualquer que seja a composição governativa que saia das próximas eleições, ver-se-á a braços com a pesada herança de anos de Sócrates. Terá que criar empregos, dar de comer aos que não conseguirem trabalho, pagar a colossal dívida externa portuguesa, incentivar as PMEs, diminuir as desigualdades sociais, aumentar as exportações, reduzir a carga do Estado e, tudo isto, sem mexer nos impostos. É obra.