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Jornal O Diabo

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Angola expulsou 150 mil num ano

Cerca de 150 mil pessoas, na maioria congoleses foram expulsos, entre o passado mês de Dezembro e meados de Julho, de Angola para a vizinha República Democrática do Congo (RDC), em “condições degradantes”, segundo a classificação empregue num relatório das Nações Unidas.

 

Segundo o mesmo documento “é urgente analisar a maneira como são efectuadas estas expulsões do norte de Angola, região rica em diamantes onde numerosos estrangeiros trabalham em minas”, afirmou à France Press o coordenador da ONU na RDC, a coberto do anonimato, por receio de represálias, mesmo em território não angolano.

 

Angola tem todo o interesse que casos destes não “transpirem” num momento em que pretende, cada vez mais, apresentar-se perante potenciais parceiros Ocidentais como um país em fase de democratização e respeitador dos Direitos Humanos.

 

Segundo as organizações humanitárias estabelecidas na RDC, muitos dos que foram expulsos de Angola passaram meses em prisões antes de serem conduzidos até cerca de uma centena de quilómetros da fronteira congolesa, que alcançaram após longa caminhada a pé. Registam-se igualmente casos de apropriação indevida dos parcos bens dos indesejáveis antes de serem largados à sua sorte em direcção à fronteira.

 

O organismo encarregue da coordenação dos assuntos humanitários das Nações Unidas (OCHA) teve igualmente conhecimento de violações e vistorias atentatórias da intimidade de mulheres que integram os grupos conduzidos até à fronteira, suspeitos pelas autoridades angolanas de esconderem diamantes.

 

A representante da ONU em Angola, Jocelline Bazile-Finely manteve recentemente um encontro com o ministro dos negócios estrangeiros do Presidente José Eduardo dos Santos, Assunção Anjos, para discutir e tentar encontrar uma solução para o problema.