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O Diabo que os carregue: Sócrates e Chávez

“Sócrates e Chávez, a mesma luta! Avante, camaradas, pelo ensino estatal soviético e pela nacionalização das consciências!” Estes slogans delirantes, longe de constituírem uma anedota fora de tempo, apenas reflectem este facto simples e certificado: o ditador venezuelano “quer que o computador ‘Magalhães’ ajude a fazer a revolução nas escolas” do seu país – isto é, quer que ele sirva para a mais primária lavagem ao cérebro de que há memória naquele pobre país latino-americano.

 

Um lote de computadores portáteis Magalhães, já assinalados como o mais precioso auxiliar na analfabetização das criancinhas, foi há meses vendido por José Sócrates ao seu amigo Chávez. De novo re-baptizados (chamar-se-ão agora, não “Magalhães”, mas “Canaima”), serão distribuídos por toda a Venezuela já a partir de 16 de Setembro.

 

São computadores feitos especialmente para aguentar um menino do primeiro ano de escolaridade”, disse Chávez. “Que os mordam, que os golpeiem, que os lancem ao chão!” (e aí, excepcionalmente, não podíamos estar mais de acordo). Mas logo o ditador se mostra ingrato: embora reconheça que a difusão do computador ficou a dever-se “a um convénio que assinámos com o amigo primeiro-ministro Sócrates”, logo acrescentou: “Há que dizê-lo, o software é 100 por cento venezuelano”. E nós a pensar que era uma invenção do Governo socialista português…

 

Importa esclarecer que o ex-Magalhães se integrará na “grande reforma da Educação” em curso na Venezuela – “reforma” que consiste em impor o ensino laico, limitar a intervenção das famílias na educação dos filhos e sujeitar os estudantes à doutrinação “chavista”, logo desde os primeiros anos de vida. Para o tirano, é uma “educação libertadora”, que “dará uma maior profundidade às mudanças revolucionárias” (onde é que já ouvimos isto?). Nem pais nem educadores foram consultados para a “reforma”. Ao impor a nova lei, Chávez promete cumprir a máxima marxista da “unanimidade ou morte”: “Morreu e descanse em paz a Lei de Educação anterior que foi feita pela burguesia”, proclamou.

 

Percebe-se agora melhor para que servem, realmente, o “modelo Magalhães” e essa grande amizade Sócrates-Chávez. Para transmitir conhecimento e dar liberdade é que não é.

 

FRA DIAVOLO